No Dia das Bruxas, o tradicional Halloween, o embaixador Osmar Chohfi, cônsul brasileiro em Nova York e responsável pela maior zona eleitoral do País no exterior, anunciou: "quem vier fantasiado, pode votar normalmente, desde que os trajes não façam referência a nenhum candidato. Se aparecer algum Homem-Aranha aqui, vai votar", afirmou.

Como trata-se da celebração mais parecida com o Carnaval brasileiro em Nova York, a cidade amanheceu vazia, um reflexo das festas da noite de sábado. Em um dia ensolarado, as temperaturas que não passavam de 13 graus. "Nossa expectativa é de um comparecimento um pouco menor, tanto devido às festas de ontem quanto ao fato de, no segundo turno, tradicionalmente, aumentar o número de abstenções", disse Chohfi.

O analista André Soares, 38 anos, que trabalha no mercado financeiro e vive há 12 anos na cidade, foi à caráter para a votação: com a roupa que vai usar na Maratona de Nova York, no próximo domingo. Camiseta, short e número oficial, ele deu uma paradinha no Metropolitan Pavillion, no bairro do Chelsea, depois de um treinamento no Central Park.

"Correr a maratona é bem mais difícil do que votar para presidente. Eu me informei bastante pela internet, só sinto falta daquele contato que tinha nas ruas brasileiras, a conversa com o motorista de táxi. Mas nada tão puxado quanto se preparar para uma maratona, até porque meu candidato passou para o segundo turno. É tranquilo", disse. O que Soares não esperava era ser barrado na boca da urna: ele esqueceu um documento com foto, chegou apenas com o título de eleitor, e, para votar, teve de correr de volta para casa afim de buscar o passaporte.

A advogada Karen Rayol, 50 anos, de Hampstead, em Long Island, foi uma das primeiras a votar. "Vim animada, porque cheguei atrasada e perdi a votação no 1º turno. Queria dar meu voto ao Serra".

As amigas Rosane Scherer, 47 anos, Claudia Setra, 35 anos, e Tânia Dobbs, 30 anos, repetiram a mesma rotina de anos a fio, eleição após eleição, só revezando na hora de decidir quem vem dirigindo o carrode suas cidades no subúrbio de Nova York. A gaúcha Rosane, é de Medford, a paulista Claudia é de Nesconset e a também paulista Tânia Dobbs, da cidade-vizinha de Commack.

Já Rogério Furtado, 29 anos, atravessou três ilhas para chegar, de carro, ao local da votação. Morador de Staten Island, um dos cinco distritos de Nova York, dono de seu próprio negócio na área de construção civil e naturalizado norte-americano, ele conta que só veio votar "por amor ao Brasil". "Queria fazer parte do processo democrático. Na terça-feira vou votar aqui nas eleições de meio-termo, mas não quero deixar de lado meus laços com o país onde nasci e fui criado", disse o eleitor, que abriu o voto para Dilma Rousseff.

A zona eleitoral sediada em Nova York abrange três estados, além de NY, os de Pensilvânia e Nova Jérsei, e é a maior do exterior, com 21.076 eleitores. Para se ter uma idéia, o segundo maior eleitorado brasileiro no exterior, Lisboa, conta com 12.360 eleitores. No 1º turno, passaram pelas 54 seções eleitorais da cidade, que conta com nomes famosos, como a da modelo Giselle Bünchen e da ex-ministra Zélia Cardoso de Mello, 8.809 brasileiros. Serra venceu, com 3.753 votos, contra 2.198 dados a Dilma e 2.104 a Marina Silva, do PV.

Até às 17h de Nova York os eleitores poderão votar na zona eleitoral do Chelsea, localizada no Metropolitan Pavillion, na Rua 18, entre as Sextas e Sétimas Avenidas. O resultado de NY será um dos últimos a serem divulgados destas eleições, por conta do fuso horário, de duas horas a menos em relação a Brasília.