A polícia boliviana divulgou nesta sexta-feira em La Paz a apreensão de uma múmia de um menino ou menina de cerca de 700 anos, aparentemente de ascendência peruana. Os restos estavam em uma caixa que seria enviada à Europa, informou na terça-feira o arqueólogo Jedú Sagárnaga.

Sagárnaga, da Sociedade de Arqueologia de La Paz, disse que "um policial descobriu (no início da semana) os restos em uma caixa no escritório (estatal) dos Correios e isto demonstra que é muito provável que existam redes de tráfico de peças arqueológicas".

Ele afirmou que realizou uma inspeção dos restos, que se encontram em bom estado de conservação e que poderiam corresponder a um menino ou menina de 6 anos, enterrado em posição fetal "há cerca de 700 anos".

O corpo "está envolvido em tecido, o que faz supor que é de ascendência peruana, porque esse era o costume" e "não acredito que seja boliviano, porque aqui eram envolvidos em palha", afirmou o pesquisador à AFP. "É provável que a múmia provenha das culturas (peruanas) Chancay (que se desenvolveu na costa central, entre 1.200 e 1.470 d.C.) ou Paracas (que nasceu em 500 a.C)", explicou.

Os restos ainda estão em poder da polícia, que espera um trâmite do Ministério boliviano de Culturas para sua entrega à Unidade governamental de Arqueologia, que posteriormente realizará uma avaliação detalhada. Se for provado que a múmia procede do Peru, ela será devolvida, como parte de acordos bilaterais.