A candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, negou nesta quinta-feira (28) que tenham provocado "constrangimento" as declarações do papa Bento XVI, que orientou os religiosos a emitir aos fieis um julgamento moral "também em matérias políticas".
"Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático, que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade da pessoa, é traído em suas bases", afirmou o pontífice.
"Para mim não cria nenhum (constrangimento). Também não acredito que possa prejudicar a campanha. Acho que é a posição do Papa e tem de ser respeitada. Ele tem direito de manifestar o que ele pensa. É a crença dele e ele está recomendando uma orientação", minimizou a presidenciável, que recebeu em Brasília apoio formal da Federação Única dos Petroleiros (FUP).
A um grupo de bispos brasileiros da região Nordeste, Bento XVI acrescentou que os bispos devem rejeitar qualquer ação que vá contra a dignidade da pessoa e que seria totalmente "falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos, políticos, econômicos e sociais que não compreenda a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até a morte natural".
Apesar de não entrar em confronto com a manifestação do Papa, a ex-ministra da Casa Civil relembrou que durante o primeiro turno sofreu uma "campanha difamatória" por conta de boatos de que supostamente seria a favor da descriminalização do aborto.
"Aqui no Brasil ocorreu uma campanha que não veio à luz do dia. Quem fez a campanha não se identificou, não mostrou sua cara e foi uma campanha de difamações, de calúnias e algumas delas feitas ao arrepio da lei porque a lei proíbe que calúnias e difamações. Somos contra essa conversa que veio debaixo do pano, que tenta fazer um jogo que confunde tudo. Cansei de repetir qual é a minha posição. Eu pessoalmente sou contra o aborto. Agora, sei que morre a cada dois dias uma mulher nessas circunstâncias. Não acredito que ninguém em sã consciência prenda as mulheres (que fazem aborto)", disse.