André Rodrigues Marins, pai da menina Joanna Marins, foi transferido nesta terça-feira da Delegacia de Criança e Adolescente Vítima (Decav) para o presídio de Bangu 8, na zona oeste do Rio de Janeiro. André foi preso na noite de segunda-feira, em seu local de trabalho, e é acusado de tortura e homicídio qualificado por meio cruel contra sua filha. Na chegada à delegacia, parentes de Joanna estavam na porta vestindo camisas com a foto da menina.

André Marins foi recebido com gritos de assassino. A prisão foi decretada pelo juiz Guilherme Schilling, do 3º Tribunal do Júri. Já a madrasta, Vanessa Maia, teve a prisão negada pela Justiça e vai responder em liberdade pelos mesmos crimes de que André é acusado. O casal pode ir a júri popular.

Na delegacia, o técnico judiciário manteve a sua negativa na participação da morte da filha, em agosto deste ano. Ainda nesta segunda-feira, a promotora da 25ª Promotoria de Investigação Penal, Ana Lúcia Melo, disse que Vanessa Maia é tão responsável quanto o pai pela morte da menina.

O caso
A menina Joanna morreu em agosto no Hospital Amiu, em Botafogo, onde passou 26 dias em coma. Ela foi internada no CTI com edema cerebral, hematomas nas pernas e sinais de queimaduras. Antes de chegar ao Amiu, ela foi levada ao Hospital Rio Mar, na zona oeste, onde foi atendida por um estudante de Medicina, acusado de lhe dar alta mesmo estando desacordada. Ele foi denunciado pelo Ministério Público por exercício ilegal da Medicina.

De acordo com a denúncia do MP, o pai e a madrasta submeteram a criança a intenso sofrimento e a mantiveram dentro de casa com as mãos e pés amarrados. A menina, que teria sido deixada por horas e dias deitada no chão suja de fezes e urina, foi, ainda segundo a denúncia, queimada na região das nádegas e lesionada com hematomas em diversos pontos do corpo e na face.

Um laudo do Instituto Médico Legal (IML) confirmou que Joanna foi vítima de maus-tratos e que morreu devido a uma meningite viral. Segundo o documento, a doença se desenvolveu devido à baixa imunidade da criança, que apresentava lesões como queimaduras nas nádegas causadas por substância química ou ação física.

O pai foi indiciado pela polícia por tortura. Ele disse que chegou a amarrar as mãos da criança com fita crepe por ela ter um sono muito agitado e transtornos motores. André Marins explicou a atitude dizendo que agiu de acordo com orientações de uma psicóloga.