Após o ‘embate’ político travado no debate da Record, nesta segunda-feira (25), onde os dois candidatos, José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), citaram abertamente o Nordeste e, diretamente, o senador Fernando Collor de Mello (PTB), dois cientistas políticos comentaram o cenário que se desenha nesta reta final de campanha.

Para o cientista político Eduardo Magalhães, a citação direta do ex-presidente surgiu no argumento tucano como “uma parte negativa da história política brasileira”. O pesquisador aponta que o tucano explorou a questão de Collor ter sido apontado como acionista na compra de uma concessão de exploração do Pré-sal. “Para isso que serve o debate. Os eleitores precisam perceber as nuances políticas que não são exploradas no guia de campanha”, explica.

Magalhães conta que explorar o Nordeste, de uma forma geral, faz parte da estratégia tucana para este segundo turno. “Mas, trata-se de uma exploração consolidada. Serra demonstrou preocupação com a região, mas a loucura que é a paixão e o endeusamento por Lula, não permite qualquer mudança. Aposto que vitória tucana, somente em Alagoas. Ele já ganhou em Maceió, no primeiro turno, deve ganhar no estado, neste segundo”, aposta.

O cientista político justifica seu posicionamento argumentando que é mais fácil um candidato ganhar 100 votos onde já tem 90, do que tentar a sorte onde não conseguiu nenhum. “A preocupação no Nordeste é muito menor, com relação ao eixo sul-sudeste. Lá, por possuírem os maiores colegiados eleitorais, qualquer 1% do eleitorado equivalem a milhares de votos que estão em jogo. Vai da estratégia de cada um”, salienta Eduardo Magalhães.

“Se a eleição fosse hoje, Dilma estaria eleita”, aposta Saldanha

Por outro lado, o também cientista político Alberto Saldanha diverge – em partes – do posicionamento de Magalhães. Ele concorda que a situação eleitoral no Nordeste está definida, mas discorda que o tucano vença em Alagoas. “O que Serra tentou, insistentemente, foi demonstrar um profundo interesse pela região, por estar em desvantagem”, explicou.

O pesquisador sustenta seu argumento no fato da petista ter recuperado a vantagem na pesquisa e se manter com uma vantagem entre 12 e 13%. “Não sei se vai surtir efeito esta estratégia, a ponto do estado mudar seu voto. O público já conhece os problemas do Nordeste. O que ele tentou foi denegrir a imagem de Dilma ante os seus eleitores”.

Já com relação à vinculação da imagem de Collor à candidata do Palácio, Saldanha salienta que tudo não passou de um embaraço. “Trata-se de uma estratégia para atrair eleitores mais instruídos, de classe média alta, do eixo sul-sudeste. Mas, por outro lado, a Dilma rebateu à ofensiva insistindo na tecla que incomoda o tucano: privatização e desemprego”.