O Haiti e seus parceiros de ajuda humanitária tentavam nesta sexta-feira (22) conter um surto de cólera que matou mais de 150 pessoas e deixou centenas de doentes.
O médico Carleene Dei, diretor da missão no Haiti da agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, disse que o número de afetados aumenta.
- Até agora temos mais de 1.500 casos e o número está aumentando, e há mais de 150 mortes confirmadas.
O presidente do Haiti, René Préval, confirmou mais cedo que se tratava de um surto de cólera, na maior crise sanitária desde o terremoto devastador de janeiro que matou 300 mil pessoas e devastou o país, o mais pobre do continente.
É a primeira epidemia de cólera no Haiti em um século, informou a Organização Mundial de Saúde (OMS). As autoridades haitianas do setor de saúde e entidades internacionais estão se empenhando para lidar com o problema. Préval disse na capital, Porto Príncipe, depois de se reunir com autoridades governamentais do setor de saúde, que está fazendo esforços para lidar com a crise.
- Agora estamos nos certificando de que as pessoas estejam plenamente informadas sobre as medidas preventivas que devem adotar para evitar a contaminação.
Os sanitaristas estavam aguardando os resultados finais de exames de laboratório para determinar a causa de um repentino surto de diarreia aguda nas regiões de Artibonite e Central, situadas ao norte da capital, devastada pelo terremoto de janeiro.
O governo haitiano notificou mais de 1.500 casos do surto, mas nenhum foi registrado em Porto Príncipe, onde cerca de 1,3 milhão de desabrigados estão morando em acampamentos.
A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), escritório regional da OMS, disse que enviou equipes médicas, remédios e água limpa para a região mais atingida pelo surto de diarreia.
O vice-diretor da Opas, Jon Andrus, em Washington, afirmou que a vizinha República Dominicana deve ficar alerta para o risco de o cólera atravessar a fronteira.
- Nossa expectativa é de que [os casos] aumentem.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que técnicos brasileiros do Ministério da Saúde estão em Porto Príncipe, onde treinam agentes sanitários haitianos e ajudam a levantar as necessidades de material médico.
- Na próxima semana, o Brasil enviará, em voos especiais da FAB, antidiarreicos, sais para reidratação oral e antibióticos, além de luvas e outros materiais descartáveis.