O ex-PM e advogado Mizael Bispo, principal acusado de matar Mércia Nakashima, negou, durante interrogatório nesta quinta-feira (21) no fórum de Guarulhos, que tenha praticado o crime e alegou ser vítima de uma armadilha. Entretanto, ele não soube apontar nomes.

- Eu acho que foi uma armadilha que fizeram para mim. Em depoimento de cerca de duas horas, Mizael afirmou, em resposta ao juiz Leandro Bittencourt Cano, que, "nessa profissão de advogado, a gente cria inimigos", sem citar nomes.

O juiz perguntou se Mizael achava que o crime fora cometido "com requintes de crueldade". O acusado disse que "não saberia dizer". Cano refez a pergunta, descrevendo a forma como Mércia foi assassinada, ao que Mizael respondeu: "sim. Com certeza, [Mércia] foi morta [com requintes de crueldade]". Em outro momento, ele definiu o crime como "gravíssimo".

Também questionado pelo juiz sobre a pena que o responsável pela morte deveria cumprir, o Mizael disse que "a pessoa que comete uma barbaridade dessa e coloca outra como suspeita deve pagar na mesma moeda". O acusado afirmou que pretende começar uma investigação própria para descobrir quem matou Mércia Nakashima.

Evandro Bezerra da Silva não assistiu ao interrogatório.

Telefonemas para Evandro

No depoimento, Mizael também admitiu que, em 23 de maio - dia do desaparecimento de Mércia -, ligou várias vezes para o vigia Evandro Bezerra da Silva, acusado de ajudar Mizael no crime. O ex-PM disse que foi atendido "duas ou três vezes", inclusive, pela mulher de Evandro. Mizael afirmou que, na ocasião, procurou Evandro para conversar sobre um serviço de segurança.
 

No dia do desaparecimento de Mércia, Mizael falou que passou duas vezes - por volta das 16h e no final da tarde - no posto de gasolina onde trabalhava Evandro para falar com ele, mas não o encontrou.

O acusado afirmou que saiu na tarde de 23 de maio para ir a uma boate no centro de São Paulo. No caminho, ele disse ter encontrado uma suposta prostituta na porta de um motel. A mulher entrou rapidamente no carro, segundo ele. Mizael conta ter parado o carro por cerca de uma hora e 30 minutos numa rua próxima ao Hospital Geral de Guarulhos. Depois disso, o acusado disse que voltou para sua casa.

No começo do interrogatório, houve um apitaço na porta do fórum que foi ouvido na sala de audiência. Manifestantes gritavam "assassino", "justiça" e "prende ele". Antes do início do depoimento, Ivon Ribeiro, advogado de Mizael, afirmou que propôs delação premiada [benefício legal que oferece redução de pena em troca de informações] a Evandro Bezerra da Silva.

O promotor Rodrigo Merli confirmou que a proposta foi feita na quarta-feira passada (20). O advogado de Evandro, José Carlos Silva, disse que não repassou a proposta ao cliente, porque ele é inocente, segundo o defensor.