Enquanto Dilma Rousseff (PT) acusou tucanos, que chama de "turma do contra", de só pensarem "em vender o patrimônio público", José Serra (PSDB) atribuiu ataques a "desespero" da adversária e diz que Petrobras se beneficiou com seu avanço nas pesquisas.

SERRA

Uma tática de Serra foi usar sua mulher, a psicóloga Monica, na propaganda eleitoral. Ela foi ao Chile --sua terra natal-- levar uma estátua de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil, ao hospital onde se encontravam os 33 trabalhadores resgatados esta semana, após desabamento de mina em Copiapó.

A cena foi devidamente incorporada ao programa da coligação serrista.

Segundo a narração, "dona Monica, mulher de Serra, chilena, foi escolhida pelo reitor do santuário de Nossa Senhora Aparecida para levar a solidariedade do povo brasileiro aos nossos vizinhos do Chile".

Se Dilma bate na tecla de que Serra é o candidato da privatização, ele se defendeu dizendo que "todos os presidentes privatizaram, em cada época, por necessidades diferentes", de FHC a Lula.

A propaganda também rebate acusações da adversária contra a educação de São Paulo, há 16 anos sob administração tucana.

Campanha do PT, para Serra, é "um montão de mentiras". Ele diz, ainda, que se esforçará para "fortalecer empresas públicas brasileiras", entre elas Banco do Brasil, Correios e Eletrobras.

Sua bandeira, afirma, será blindar essas empresas de "interesses particulares, privados, de partidos ou turma de políticos".

Ator da propaganda tucana afirma que subida de Serra nas pesquisas impulsionou ações da Petrobras, valorizadas "depois de semanas de queda". A tese é ilustrada com reportagem da revista "Exame", que associa disparo da estatal ao avanço do peessedebista.

A mais recente pesquisa Datafolha mostra que, uma semana após a volta da propaganda eleitoral, Dilma mantém vantagem sobre Serra --54% contra 46% dos votos válidos. Esse quadro indica estabilidade em relação à semana passada.

DILMA

Candidata do PT diz que "ninguém é dono da verdade", mas sua "visão de governo é totalmente contrária à da turma do contra".

Volta à baila argumento usado ao longo da semana, de que "principal assessor de Serra para a área de energia defendeu privatização do pré-sal".

Ator do programa diz que tucanos, no governo FHC, mantinham relação servil com potências estrangeiras. Prova disso seria uma suposta ânsia em se desfazer dos patrimônios públicos.

"Eles sabiam se humilhar muito bem em inglês na frente dos poderosos", diz ator. "Era só 'pois não' pra cá, 'sim, senhor' pra lá. Ou melhor, 'yes, sir', 'of course'."

Na esfera estadual, Serra também é acusado de ser favorável às privatizações, a exemplo da venda do banco Nossa Caixa --que teria sido "salvo" pela gestão Lula ao se incorporar ao Banco do Brasil, no ano passado.