As investigações feitas pela Polícia Civil de várias delegacias e informações obtidas pelos serviços de Inteligência de batalhões da Polícia Militar indicam objetivos diferentes para cada uma das cinco tentativas de invasões a favelas ocorridas desde setembro.
No morro da Serrinha, em Madureira, por exemplo, o objetivo da facção criminosa é ocupar todas as favelas de um mesmo maciço (Juramento, Primavera, Serrinha, São José da Pedra e Patolinha) e assim formar um complexo, como já existe no Alemão e na Penha, na zona norte.
Esse novo conjunto, segundo relatos de policiais, abrigaria parte de criminosos que fugiram de favelas pacificadas. A Serrinha também foi prometida pela facção ao traficante conhecido como Claudinho CL, que saiu do Dona Marta, em Botafogo, na zona sul, após a implantação da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora).
Os traficantes saíram do morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, invadiram a Primavera e se basearam no morro São José da Pedra para atacar a Serrinha. De acordo com a polícia, os integrantes da facção rival ficaram cercados, já que, do outro lado de Madureira, há o morro do Cajueiro, também controlado pelos invasores.
Os criminosos que querem a Serrinha já mataram dois integrantes do bando inimigo desde o início da guerra. Os corpos foram desovados em plena rua, em carrinhos de supermercado.
Nos morros do Dezoito e do Saçu, as informações obtidas pela polícia indicam que o traficante Piolho decidiu invadi-los porque foi expulso da favela Vila Vintém, em Padre Miguel, na zona oeste, além do fato de as duas localidades ficarem enfraquecidas em razão da prisão de milicianos que ocupavam a região até o final de setembro.
Segundo a polícia, Piolho também teria um bom conhecimento da região, já que, antes de a milícia dominar o Dezoito, era ele quem controlava o morro.
Em Santa Cruz, na zona oeste, a polícia tem informações de que a guerra na favela do Rola foi comandada pelo traficante conhecido como Paulinho Marimbondo. O criminoso, segundo investigações, controlava várias comunidades no bairro mas acabou perdendo o comando para facções rivais e milícias e, agora, tenta retomá-las.
No Caju, a polícia afirmou que a guerra é uma continuidade de um confronto ocorrido em maio do ano passado, quando os traficantes do Timbau e da Baixa do Sapateiro invadiram e tomaram as comunidades vizinhas da Vila do João e da Vila dos Pinheiros, então dominadas na época pelo traficante conhecido como Sassá.
De acordo com um agente da 17ª DP (São Cristóvão), o traficante conhecido como Menor P, que liderou a invasão em maio de 2009, também comandou o ataque ao Caju, cujas bocas de fumo também são de propriedade de Sassá, que está preso.
Um policial revelou ao R7, no entanto, que as tentativas de invasão ao Caju e na favela do Rola foram financiadas pelo traficante conhecido como Matemático após ele ter adquirido dinheiro ao alugar armas para um assalto a uma transportadora em Minas Gerais no início de setembro.