O advogado do goleiro Bruno, Ércio Quaresma, pediu desculpas nesta quinta-feira, durante audiência do processo que apura o desaparecimento da ex-amante do jogador Eliza Samudio, a Marco Antônio Siqueira, advogado de Sérgio Rosa Sales, primo de Bruno e um dos réus do processo. Na semana passada, Quaresma havia afirmado que "o que é seu está guardado" para o colega de profissão. Siqueira chegou a anunciar que abandonaria o caso alegando que era ameaçado por Quaresma. O pedido de desculpas foi registrado nos autos do processo pela juíza Marixa Fabiane. A audiência ocorre no Fórum de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte.
Fora da sala de audiência, Marco Antônio Siqueira disse a Quaresma que aceitava o pedido de desculpas, mas que não tinha dúvidas que as ameaças eram verdadeiras.
Por volta das 16h, depunha a última testemunha arrolada pela acusação, o policial Sirlan Versiani. Em depoimento anterior ao dele, a caseira do sítio de Bruno em Esmeraldas (MG), também testemunha arrolada pela acusação, afirmou que via Eliza no sítio com frequência e que a jovem circulava no local como uma hóspede, sem aparentar estar sob cárcere privado. A caseira disse que muitas mulheres passavam pelo sítio e que a presença de Eliza não chamava a atenção.
A mulher afirmou, no entanto, que achou estranha a ordem - supostamente de Luiz Henrique Romão, que administrava o sítio e os bens de Bruno na época - de não poder limpar a parte de dentro da casa na véspera do desaparecimento da jovem. Quem limpava o local neste período, segundo a caseira, eram Wemerson Marques de Souza, o Coxinha, e o Elenilson Vitor da Silva, também réus do processo.
A audiência desta quinta é a continuidade de uma audiência do caso iniciada na semana passada, retomada na quarta-feira. Com exceção do primo de Bruno Sérgio Rosa Sales, que teve o pedido de não acompanhar a audiência deferido pela juíza, os outros oito réus estão no local: além de Bruno e Macarrão, o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola; Elenilson Vitor da Silva; Flávio Caetano de Araujo; Wemerson Marques de Souza, o Coxinha; Dayanne de Souza; e a amante de Bruno Fernanda de Castro.
Ainda nesta quinta, depõem quatro testemunhas arroladas pela defesa. São elas quatro delegados da polícia de Minas Gerais: Edson Moreira, Ana Maria Santos, Alessandra Wilke e Wagner Pinto. As outras sete testemunhas arroladas pela defesa depõem na sexta-feira, em audiência marcada para as 8h.
O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.
No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.
Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.
No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.
No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno responderá como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação da atual amante do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.