Segundo informaram nesta segunda-feira, os advogados do prêmio Nobel da Paz Liu Xiaobo estudam negociar com as autoridades chinesas a redução da condenação de 11 anos que o intelectual cumpre por ter pedido reformas democráticas em seu país.

O grupo pretende reunir-se com a esposa do dissidente político, Liu Xia, antes de apresentar ao governo chinês a proposta de redução de sua condenação.

"Por enquanto é só uma ideia. Não podemos dar mais detalhes até nos reunirmos com a esposa de Liu Xiaobo. Estamos esperando o relaxamento de sua vigilância domiciliar para que nos visite", disse Ding Xikui, um dos advogados envolvidos.

O advogado e dissidente Teng Biao, próximo à família, manifestou à Efe que a redução da condenação de Xiaobo também "dependerá da pressão internacional e social direcionada ao regime chinês".

Liu Xiaobo, 54 anos, foi detido em dezembro de 2008 após colaborar na redação do manifesto político "Carta 08", no qual ele e outros 300 intelectuais pediam a entrada em vigor de direitos constitucionais como a liberdade de imprensa e expressão, o pluripartidarismo e a proteção ao meio ambiente.

Um ano mais tarde foi condenado a 11 anos de prisão por "subverter o poder contra o Estado", em sua terceira pena por dissidência.

O dissidente recebeu ontem a visita de sua mulher, em encontro de uma hora na prisão de Jinzhou, na província de Liaoning, a cerca de 480 quilômetros de Pequim, segundo informou a própria Liu Xia, de 49 anos, através de sua conta no Twitter.

Governos e organizações de todo o mundo, como a Anistia Internacional e a Freedom Now e Human Rights in China, pediram a libertação do novo Nobel e, desde hoje, a de sua esposa.

No coro pela libertação de Xiaobo estão quatro relatores da ONU, que classificaram o dissidente como um "valente defensor dos direitos humanos".

"Liu Xiaobo é um valente defensor dos direitos humanos, pelos quais lutou contínua e pacificamente na República Popular da China. Damos as boas-vindas ao reconhecimento do seu trabalho", disseram os analistas em comunicado .

"Durante muitos anos expressamos ao gGoverno chinês nossa preocupação a respeito das violações dos direitos fundamentais de Liu Xiaobo. Isto inclui sua detenção em 1997 e a sentença de reeducação mediante o trabalho por ter criticado o sistema político unipartidarista do seu país, que consideramos arbitrário", completam os relatores.

Assinaram o documento o relator especial para o Direito à Liberdade de Expressão, Frank La Rue; o presidente do grupo de analistas sobre a Detenção Arbitrária, El Hadji Malick Sow; a relatora sobre a situação dos defensores dos direitos humanos, Margaret Sekaggya, e a relatora sobre a independência dos juízes e advogados, Gabriela Knaul.