A nova agenda do Fundo Monetário Internacional (FMI) deve incluir a supervisão do sistema financeiro, como forma de prevenir novas crises. Uma de suas prioridades deve ser uma vigilância mais forte das economias desenvolvidas, para apontar suas vulnerabilidades, segundo recomendou ontem o Comitê Monetário e Financeiro Internacional, o centro das decisões políticas da instituição. O comitê é formado por 24 ministros de países desenvolvidos e em desenvolvimento de todas as regiões.

A partir do próximo ano, a avaliação periódica será obrigatória para os países com entidades financeiras de importância sistêmica - isto é, com maior potencial de dano em caso de crise. O exame será trienal.

O Brasil aparece numa lista de 25 países sistemicamente importantes divulgada recentemente pelo FMI. A crise iniciada há três anos começou na maior potência do mundo, com o estouro da bolha de crédito imobiliário nos Estados Unidos.

Segundo o comitê, o Fundo respondeu às necessidades dos países-membros durante a crise, mas agora "é necessária uma ação urgente para reforçar seu papel e sua eficácia como instituição global de supervisão macrofinanceira e de cooperação política". Os ministros aplaudiram as novas normas de segurança bancária recém-formuladas pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), de Basileia, também conhecido como banco central dos bancos centrais. As normas incluem maior exigência de capital e novos padrões de liquidez. Mas é preciso complementar a reforma, segundo os ministros, com mecanismos de vigilância e de resolução internacional de crises.

A palavra "resolução" tem sido usada no FMI para indicar, entre outras ações, a liquidação de instituições falidas. "Para dar-lhes um enterro decente" e não uma sobrevida, disse na terça-feira o diretor do Departamento de Mercados Monetário e de Capitais do FMI, José Viñals.

Legitimidade. O comunicado emitido pelo Comitê Monetário e Financeiro reitera a importância "crítica" da redistribuição de votos e cotas para a legitimidade e a eficácia do Fundo. Além disso, recomenda a aplicação dos critérios definidos em 2008 para a execução da reforma. Foi ignorada, portanto, a proposta brasileira de adoção de um novo cálculo para a atribuição de cotas e votos. Por essa proposta, o tamanho da economia de cada país teria mais importância na fórmula.

Sobre as políticas de câmbio, um dos assuntos mais polêmicos do momento, o texto traduz o consenso possível entre Estados Unidos, China, Brasil, Alemanha, Japão e outros países envolvidos no conflito. Os governos, segundo o comunicado, devem esforçar-se para promover um crescimento mais equilibrado, reconhecendo as responsabilidades dos países tanto superavitários quanto deficitários. Devem, além disso, enfrentar os "desafios de grandes e voláteis movimentos de capitais".

Desse ponto de vista, o jogo terminou zero a zero. Nenhum dos lados conseguiu impor seu ponto de vista e isso era previsível. A desordem cambial continuará e dificilmente será resolvida também na próxima reunião de cúpula do G-20, em novembro. Mas qualquer solução, insistiu o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, terá de ser coletiva