Um grupo de escritores e membros da comunidade literária latino-americana, entre os quais o prêmio Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa, pediram à Unesco que retire o prêmio de pesquisa que leva o nome do presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang.

"É preocupante a mensagem enviada pela Organização das Nações Unidas para a Educação a Ciência e a Cultura (Unesco), ao apoiar um prêmio com o nome de um dos ditadores mais repressivos do mundo atual", diz o documento divulgado hoje pelo embaixador do México diante dessa agência da ONU, Homero Aridjis.

A carta, dirigida aos membros do Conselho Executivo da Unesco e à diretora geral da Organização, Irina Bokova, destaca que a missão da agência de "apoiar o livre fluxo de ideias e de promover o acesso à informação e ao conhecimento será maculada se homenagear um homem cujo Governo manifesta desdém absoluto em direção a estes conceitos".

A chamada ocorre por causa da abertura da 185ª sessão do Conselho Executivo da Unesco e se soma à condenação já feita por dezenas de organizações de defesa dos direitos humanos.

O "Prêmio Internacional Unesco-Obiang Nguema Mbasogo para a pesquisa em Ciências da Vida" foi criado para destacar anualmente os cientistas e instituições que estudam as causas e os remédios contra os problemas e males que afetam a saúde, ameaçam a vida dos seres humanos e colocam em perigo a biodiversidade do planeta, segundo seus promotores.

O prêmio, financiado pelo Governo da Guiné Equatorial, foi proposto pelo próprio Obiang diante da Conferência Geral da Unesco, em outubro de 2007, para ser outorgado uma vez ao ano pelo período de cinco anos.

Em junho, no entanto, a diretora geral da Unesco decidiu não fixar data para entrega do prêmio, enquanto a organização decide como atuar.