As negociações sobre mudança climática não avançaram em nada nos últimos 5 anos devido à atitude de países desenvolvidos "que atrasam o problema mais crucial tentando impor discussões secundárias", disse hoje o chefe da delegação chinesa na rodada de negociações de Tianjin, Su Wei.
"Os países desenvolvidos querem revisar o Protocolo de Kioto no lugar de atuar no ponto chave, que é o de reduzir as emissões, e alguns querem anular o sistema criado em Kioto", assinalou Su em entrevista coletiva.
Neste sábado, último dia de negociações reunindo 3 mil delegados de 194 países, persiste as acusações mútuas entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento, simbolizado pelos Estados Unidos e China.
O representante chinês disse que os EUA acusam à China de não informar suas ações de redução de emissões ou mitigação da mudança climática, algo que segundo este é falso.
"China não é contra informar e verificar a mitigação se está for financiada pelos países desenvolvidos. Se os países em desenvolvimento financiarem a si próprio, também não se opõem, haverá informação e verificação a cargo de organismos nacionais", garantiu (EUA por outro lado pedem verificação internacional neste segundo caso).
O representante chinês continuou na linha de críticas aos EUA que predominou no bloco de nações em desenvolvimento em Tianjin (como ocorreu em Copenhague), assinalando que "é preciso fazer sua tarefa antes de criticar os outros, caso contrário não está sendo justo".
O negociador americano, Jonathan Pershing, assinalou anteriormente, em Tianjin, que as nações emergentes (citando a Índia, China e Brasil) não colocando no mesmo patamar outros países em desenvolvimento, já que sua capacidade de lutar contra a mudança climática é maior.
Ressaltou que China e os EUA somam quase 50% das emissões totais de dióxido de carbono no planeta, por isso que não podem alcançar um acordo útil se nele não houver um compromisso forte por parte de Washington e de Pequim.
As declarações dos representantes dos EUA e da China no último dia mostraram que os desacordos entre as nações ricas e pobres continuam quase um ano depois da Cúpula de Copenhague, por isso que poderiam aflorar novamente em Cancún (México), onde se voltará a buscar um acordo vinculativo que ocorra ao Protocolo de Kioto quando neste acabe sua vigência, em 2012.
A principal representante das Nações Unidas para as negociações, Christiana Figueres, como a chanceler mexicana, Patricia Espinosa (em qualidade de próxima anfitriã do diálogo), apontaram hoje que Tianjin permitiu tímidos avanços em questões como o financiamento de países desenvolvidos a nações em desenvolvimento.