Um ano depois do escândalo do vazamento da prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), Marcelo Sena, um dos acusados de retirar o caderno de questões da gráfica disse em entrevista ao R7 que não descarta a possibilidade de ter sido usado como “laranja” por Felipe Pradella.
Entenda o caso do furto do Enem
- Pode ser que sim, talvez para que ele [Pradella] não fosse responsabilizado.
Ele e Filipe Barbosa trabalhavam para o consórcio Connasel (consórcio que era responsável pela logística do Enem) e atuavam dentro da gráfica Plural, que imprimia o exame. Ambos foram os responsáveis por levar os cadernos de questões para fora do local, e depois os entregaram a Pradella, segundo o inquérito da Polícia Federal.
Pradella, junto com outros dois acusados – Gregory Camillo e Luciano Rodrigues – negociaram o exame com a imprensa. O preço sugerido por eles para a venda era de R$ 500 mil. Quando o assunto veio a público, Barbosa e Sena disseram não saber nada sobre as negociações milionárias que estavam sendo feitas com o Enem.
- Eu nunca soube nada sobre as negociações, com quem estavam sendo feitas, de que forma, muito menos dos valores tratados.
Os três – Pradella, Barbosa e Sena - se conhecem há bastante tempo, pois moravam no mesmo bairro, em Osasco (Grande São Paulo). Sena já teve um relacionamento com uma prima de Pradella e é amigo de infância de Barbosa. Apesar disso, o jovem diz que ele e Pradella nunca foram amigos, só “colegas de trabalho, na gráfica”. Ele ressalta que só ficou sabendo que o vizinho trabalharia com ele depois que já exercia suas funções na gráfica.
Com relação às mudanças em sua vida no último ano, desde o escândalo do Enem, o acusado diz que “a maior foi a de endereço”.
- Saí de Osasco, onde morava na época dos fatos, e hoje moro na cidade de Barueri.
O jovem também conta que sua família ficou muito assustada com o caso, mas que, apesar do processo, continuou ao seu lado, apoiando-o.
Assim como os outros acusados, Sena evita falar sobre o caso, que corre em segredo na Justiça. Ele disse que “não tinha noção” de que prejudicaria milhões de estudantes com o vazamento do Enem.
Todos seguiram com suas vidas, apesar do processo na Justiça. Gregory Camillo continua sendo DJ, e acaba de inaugurar uma discoteca em área nobre de São Paulo; Luciano Rodrigues ainda é empresário e até dois meses atrás mantinha uma pizzaria na região dos Jardins.
- Eles têm uma condição de vida totalmente diferente da minha, mas todos nós estamos respondendo ao mesmo processo, por isso imagino que os esforços para limparmos nossos nomes sejam os mesmos.
Questionado se sofreu algum tipo de ameaça, o jovem disse que não.
- Não sei se corria algum risco de vida. Só sei que ninguém me ameaçou disso.