O jornalista Eleandro Passaia, 34 anos, delator do escândalo de corrupção no Mato Grosso do Sul, afirmou em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo que o governador do Estado, André Puccinelli (PMDB), continuou o esquema de "mensalão" já existente na gestão do antecessor, Zeca do PT (1999-2002). Zeca e Puccinelli polarizam a disputa pelo governo nas eleições deste ano. Ex-secretário de Governo de Dourados (MS), Passaia gravou conversas, como informante da Polícia Federal (PF), que resultaram em duas investigações - uma atingindo autoridades estaduais e a outra envolvendo toda a cúpula municipal de Dourados.
Em um dos vídeos divulgados pela PF, o deputado estadual Ary Rigo (PSDB) diz no vídeo que o empreiteiro Edson Freitas tinha vantagens durante o governo de Zeca do PT. "Por mais que ele (Rigo) fale que não, é mensalão. No vídeo, ele dá detalhes da época do Puccinelli, mas também da época do Zeca. A gente não pode esquecer que o Rigo era líder na Assembleia do Zeca", disse Passaia. Além de Rigo, o jornalista afirma que gravou conversas com os deputados o Marçal Filho e Geraldo Resende, ambos do PMDB, em que os parlamentares pediam "retorno" ¿ gíria utilizada em referência à propina. "Retorno dos recursos que eles traziam para cá (Dourados), 10% eles queriam em dinheiro. No mundo da corrupção, qualquer assessor sabe que retorno é o retorno do dinheiro viabilizado por um parlamentar", disse Passaia.