O candidato ao Governo de Alagoas, Ronaldo Lessa (PDT), revelou – com exclusividade ao Cada Minuto – seu desapontamento com o empate do julgamento da matéria ‘Ficha Limpa’, no Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, demonstrou profunda esperança, pois, ao contrário de Joaquim Roriz (PSC), seu caso não está ‘órfão’ de instância: “meu caso sequer chegou ao TSE, eu tenho total esperança que ele será decidido lá”, declara.

De acordo com o ex-governador, a questão já poderia estar solucionada, se o presidente Cezar Peluso honrasse o desejo do ministro aposentado Eros Grau. “Antes de se aposentar, o ministro revelou qual era o seu posicionamento sobre a questão. Se ele tivesse usado o voto de qualidade para representar a vaga vazia, deixada por Grau, não estaria neste impasse”, explica.

Ronaldo Lessa salienta que, no segundo dia do julgamento, ficou claro: ‘eles não sabem o que fazer com a Lei’. Ele conta que a Corte precisa se pronunciar, ela deve isso ao país. “Eu tenho consciência de que o meu caso é diferente do Roriz. Tanto que tem gente no Tribunal Especializado [Tribunal Superior Eleitoral (TSE)] defendendo que no meu caso não era necessário nem julgamento. Uma simples multa resolveria tudo”, fundamenta.

Deixando a pessoalidade de lado, o ex-governador avalia que a suspensão da matéria cria um momento perigoso, para o processo eleitoral. “Veja o que aconteceu com o Roriz. No meu caso, eu não vou parar minha campanha por isso. Nesta quinta-feira (23) percorri quatro cidades, na sexta-feira (24) outras cinco, não deixo que isso suspenda minhas atividades. Pelo contrário, vou com ainda mais vontade”, declara.

Diferentemente de Roriz, Lessa descarta a possibilidade de renúncia à candidatura. “Eu vou até o fim. Se for comprovado que não sou digno de disputar este pleito, eu vou para a clandestinidade. Transfiro-me para a trincheira e faço como na época em que combatia à Ditadura” alerta.

O Julgamento

Como havia sido antecipado, com exclusividade pelo Cada Minuto, o Supremo Tribunal Federal (STF) ficou dividido acerca da aplicabilidade da Lei Complementar 135/2010 – a ‘Ficha Limpa’. A grande surpresa, nem um pouco agradável para os que tiveram o seu registro de candidatura impugnado, com base na Lei, foi a desistência do voto de ‘qualidade’ do presidente, o ministro Cezar Peluso.

Com isso, abriu-se uma lacuna sem precedente na história eleitoral deste país: a quem os candidatos, que se sentiram lesados pela Lei, devem recorrer? Como instância suprema, o STF não conseguiu chegar a um acordo. Afinal, os ministros não tiveram como solucionar a questão. A ponto de aguardar a nomeação de um novo ministro, para que o número de votantes seja ímpar – um total de 11 – e assim solucione de vez o impasse.