A Igreja Católica da Bélgica reconheceu nesta segunda-feira (13) os "erros do passado" na gestão dos casos de abuso sexual contra menores cometidos por padres.

A instituição também disse que vai tomar medidas para atenuar os problemas sofridos pelas vítimas de pedofilia.

O anúncio acontece três dias depois da publicação do relatório de uma comissão da igreja que constatou 475 denúncias de abuso sexual e ao menos 13 casos de suicídio de vítimas desde a década de 1960.

Em entrevista coletiva, o arcebispo de Malinas-Bruxelas, André Leonard, disse que a Igreja Católica pretende aprender com os "erros do passado".

- Desejamos tirar as lições necessárias dos erros do passado. Queremos nos comprometer e ficar à total disposição das vítimas.

Apesar do anúncio, o principal líder da Igreja Católica da Bélgica ainda não detalhou que tipo de plano será iniciado para dar apoio às vítimas da pedofilia.

- O problema e as emoções geradas são de tal tamanho que é impossível apresentar hoje uma proposta detalhada.

Relatório aponta suicídios

O relatório da comissão sobre denúncias de abusos sexuais por parte de religiosos na Bélgica, cujas conclusões foram apresentadas na última sexta-feira (10), revela que 13 das vítimas de pedofilia cometeram suicídio.


Apresentado pelo psiquiatra Peter Adriaenssens, o documento detalha que a comissão responsável pela investigação dos abusos recebeu ao menos 475 denúncias de pedofilia.

Na apresentação, Adriaenssens também denunciou as "pressões" e a lei do silêncio que imperou durante décadas na igreja belga sobre o assunto.

Ao longo de 200 páginas são divulgados os testemunhos de centenas de antigos alunos de instituições educativas da Igreja Católica que sofreram abusos de religiosos, sobretudo nos anos 1960 e 1970.