O presidente Luiz Inácio Lula da Silva citou nesta segunda-feira o caso do governador preso no Amapá, Pedro Paulo Dias (PP), para dizer que, no Brasil, "bandido" só não é preso "se não for bandido". "Quando tem roubo, a gente pega. Vocês viram o que aconteceu agora no Amapá. Só tem um jeito de bandido não ser preso nesse País: é não ser bandido. Porque se for bandido e a gente descobrir, a gente pega", afirmou, ao discursar sobre o combate a desvio de recursos públicos.
O governador foi preso na última sexta-feira, em Macapá, durante a Operação Mãos Limpas, da Polícia Federal (PF), suspeito de envolvimento com uma organização criminosa que desviava recursos públicos do Estado do Amapá e da União. Além de Pedro Paulo Dias, foram presas 17 pessoas, entre elas o presidente do Tribunal de Contas, José Julio Miranda, o prefeito de Macapá, Roberto Góes - que pagou fiança e foi liberado -, o primo dele Waldez Góes (PDT), ex-governador do Estado, a mulher de Waldez, Marília Góes, e o delegado Aldo Ferreira, que ocupava o cargo de secretário de Segurança. As prisões foram determinadas pelo ministro Fernando Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
"Houve um tempo que não era assim. Houve um tempo que era mais fácil levantar o tapete e jogar para baixo. Agora não", disse. Lula esteve nesta manhã em Criciúma (SC), para a cerimônia de entrega de trechos da BR-101 no Estado.
Em seu discurso, Lula disse também que foi o presidente que mais investiu em Santa Catarina por meio do Ministério dos Transportes. "Tem um tipo de político que pensa que está falando a verdade, que vai na TV e diz 'a gente mata a cobra e mostra o pau'. Na minha turma, a gente mata a cobra e mostra a cobra morta", afirmou. "Se os políticos falassem mais a verdade, possivelmente o povo tivesse mais condições de escolher melhores políticos", disse.
O caso
A polícia constatou que a maioria dos contratos administrativos firmados pela Secretaria de Educação beneficiavam empresas selecionadas. Apenas uma empresa de segurança e vigilância privada manteve contrato emergencial por três anos com a Secretaria de Educação, com fatura mensal superior a R$ 2,5 milhões e com evidências de que parte do valor retornava, sob forma de propina, aos envolvidos.
Foram identificados também desvios de recursos no Tribunal de Contas do Estado do Amapá, na Assembleia Legislativa, na Prefeitura de Macapá, nas Secretarias de Estado de Justiça e Segurança Pública, de Saúde, de Inclusão e Mobilização Social, de Desporto e Lazer e no Instituto de Administração Penitenciária.
Os envolvidos são investigados pelas práticas de crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, advocacia administrativa, ocultação de bens e valores, lavagem de dinheiro, fraude em licitações, tráfico de influência, formação de quadrilha, entre outros crimes conexos.