O office boy Ademir Estevam Cabral, 51, confirmou nesta quinta-feira em depoimento à Polícia Civil de São Paulo que já trabalhou com o contador Antonio Carlos Atella Ferreira, mas negou participação na quebra do sigilo fiscal de Veronica Allende Serra, filha do presidenciável José Serra (PSDB).
O interrogatório de Cabral ocorreu na Delegacia Seccional de Santo André (ABC paulista). Policiais ouvidos pela reportagem disseram que ele se apresentou sem advogado.
Cabral é investigado pela Polícia Civil por ter sido acusado pelo contador como a pessoa que lhe entregou uma procuração falsa para retirar da Receita Federal os dados fiscais de Veronica Serra.
O office boy disse à polícia que Atella mente ao dizer que foi ele quem encomendou os dados da empresária.
O contador deve prestar depoimento amanhã sobre o caso.
A Receita confirmou que a declaração de renda de Veronica referente aos exercícios de 2007 e 2009 foi acessada em 30 de setembro do ano passado na delegacia do fisco em Santo André (SP).
Em entrevista à Folha, a analista tributária Lúcia de Fátima Milan admitiu ter acessado a declaração de renda, mas a pedido da própria Veronica e com uma procuração registrada em cartório. Ao analisar o documento, Veronica viu que não era sua a assinatura.
A procuração com a assinatura "falsificada" deu autoridade a Atella para pedir a cópia das declarações de Veronica de 2008 e 2009.
Atella teve quatro CPFs cancelados por multiplicidade --usados ao mesmo tempo-- nos últimos anos. Os CPFs haviam sido emitidos em estados diferentes --além de dois em São Paulo, tinha um em Rondônia e outro no Paraná.
Ele também tem 27 cheques sem fundo registrados e dois protestos em cartório contra ele. De acordo com investigadores, são indícios característicos de um estelionatário.
Qualquer contribuinte pode exigir uma cópia da declaração e o serviço custa R$ 10.
Outras quatro pessoas ligadas a Serra tiveram seus sigilos violados na região, entre eles o vice-presidente do partido, Eduardo Jorge Caldas Pereira.