Em entrevista coletiva concedida neste domingo, Dilma Rousseff atribuiu o apoio do ex-presidente Collor à sua candidatura a um "problema da liberdade democrática". Com certo desconforto e um pouco constrangida, Dilma afirmou que sua história de vida é bem diferente da de Collor, que disputa o governo de Alagoas.

- Quero dizer que não tenho a mesma posição histórica do presidente Collor. Agora, se ele quiser apoiar a minha candidatura, é um problema da liberdade democrática. Tenho vários apoios lá (em Alagoas), inclusive do Ronaldo Lessa (candidato do PSB ao governo estadual).

Dilma classificou como um "mecanismo escuso" o uso de um vídeo de Collor dando apoio à sua candidatura no programa do tucano José Serra. Ela voltou a frisar a diferença entre os dois.

- É público e notório que tenho uma trajetória de vida um pouco diferente da trajetória do ex-presidente Collor - disse Dilma.

A candidata do PT comentou o escândalo de quebra de sigilo na Receita Federal para um suposto dossiê contra tucanos e defendeu a instituição. Dilma afirmou que é preciso tomar cuidado para não fragilizar, num momento eleitoral, um órgão como a Receita.

A petista afirmou que, se houve erros, foram das pessoas e não da instituição. Ela disse ainda, que os responsáveis por esse atos ilegais na Receita devem ser excluídos.

- A Receita tem uma trajetória de serviços prestados e não podemos tratá-la de forma tão leviana. É preciso apurar tudo, mas ter calma também. Se as pessoas erraram, foram as pessoas e não a instituição - disse Dilma, em entrevista na tarde de ontem, no estúdio de gravação de seu programa eleitoral.

Dilma comentou a declaração do Ministro da Fazenda, Guido Mantega, que, na semana passada, afirmou que sigilos na Receita sempre foram quebrados. A petista tentou explicar a frase do ministro:

- Acredito que Mantega quis dizer é que não existe nenhum sistema perfeito e que todos são passíveis de serem violados. É fundamental que se tenha rigidez muito grande e fortalecimento da proteção dos dados do sigilo fiscal da população e de milhões de brasileiros. Não é possível conviver com vazamentos. Há que se investigar e punir caso se detecte algum mal feito. E há de se excluir o funcionário também.