O Ministério Público Federal em Minas Gerais (MPF-MG) divulgou nesta quarta-feira (1º) que a Justiça Federal condenou o advogado Rogério Lanza Tolentino, um dos envolvidos no inquérito do Mensalão mineiro, a sete anos e quatro meses de prisão e ao pagamento de 3.780 salários mínimos. De acordo com o Ministério Público, o advogado é o primeiro dos envolvidos no escândalo a ser condenado. Rogério Tolentino era o advogado e ex-sócio da SMPB&Comunicação, empresa, à época, pertencente a Marcos Valério Fernandes de Souza, acusado pelo Supremo Tribunal Federal de ser o principal operador do Mensalão.

Ainda segundo o MPF-MG, o juiz da 4ª Vara, Alexandre Buck, também decretou o sequestro dos bens de Tolentino, para garantir o ressarcimento dos danos causado pelos crimes, e a interdição do réu para o exercício de cargo ou função pública pelo prazo de 14 anos e oito meses.

O advogado Paulo Sérgio Abreu, que representa Rogério Tolentino, disse que tomou conhecimento da sentença na terça-feira (31) pelo site da Justiça Federal, mas ainda não teve acesso ao processo. Ele afirmou ainda que mesmo sem o conhecimento do teor da sentença, da pena e da análise do juiz, vai recorrer da decisão.

Histórico

De acordo com a denúncia, que foi instaurada pelo Ministério Público Federal em Minas Gerais, a lavagem de dinheiro foi feita para ocultar os verdadeiros valores movimentados pelo Mensalão.

Segundo o relator, o ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, no recebimento da denúncia, Tolentino "atuava como verdadeiro braço direito de Marcos Valério, acompanhando-o em reuniões com outros acusados, indo à sede de empresas aparentemente envolvidas no suposto esquema de lavagem de dinheiro e inclusive fazendo repasses de dinheiro através de sua empresa, Lanza Tolentino & Associados".

Na denúncia, o MPF-MG relata que a conduta criminosa teria tido início em maio de 2002, quando foi depositado na conta corrente de Rogério Tolentino um cheque no valor de R$ 128 mil emitido pela SMP&B Comunicação Ltda, e perdurou até agosto de 2005. Nesse período, quantias grandes foram movimentadas através das contas do acusado, por meio de operações bancárias efetuadas pela própria SMP&B e pela instituição financeira Banco Rural, segundo o Ministério Público Federal.

Segundo a Justiça Federal, existe a denúncia do Mensalão que corre no Supremo Tribunal Federal. Dessas denúncias, foram instauradas várias investigações em Minas Gerais. Uma delas é esta contra o advogado Rogério Lanza Tolentino.