O presidente do Chile, Sebastián Piñera, ligou para o da Bolívia, Evo Morales, e lhe disse que em novembro viajará a La Paz com o boliviano Carlos Mamani, um dos 33 trabalhadores presos desde o dia 5 na mina San José, norte do país.
O jornal chileno El Mercurio publicou neste domingo (29) que é uma referência a uma eventual data determinada pelo presidente para o resgate dos operários bloqueados a 700 metros de profundidade, sob toneladas de rochas e pedras.
Mamani é o único estrangeiro do grupo, tem 23 anos e ingressou no emprego exatamente no dia em que um desmoronamento fechou a saída do local. Na semana passada, o governo boliviano afirmou que iria ajudar a família do mineiro, que é casado e tem uma filha de um ano.
Ontem, a imprensa local reportou que fontes do comitê técnico que supervisiona os trabalhos de salvação assinalaram que os homens poderiam ser trazidos à superfície em até 60 dias, dois meses a menos do que o tempo máximo anunciado pelas autoridades chilenas.
Mais tarde, o ministro da Mineração, Laurence Golborne, desmentiu a notícia. Posteriormente, ele admitiu que ao menos dez opções diferentes de alternativas de resgate estão sendo estudadas pelos especialistas.
Amanhã começarão as atividades da máquina perfuradora que vai retirar os operários do local. O início estava previsto para a noite de hoje, mas houve um atraso porque foi preciso reforçar o terreno no qual o equipamento será fixado.
O titular da Saúde, Jaime Mañalich, disse hoje em sua conta no sistema de microblogging Twitter que principiou a segunda fase da assistência, com a "estabilização de saúde e nutrição" dos homens, que estão em boas condições de ânimo. Mañalich destacou que todos eles estão vacinados contra tétano e difteria.
O jornal chileno La Tercera informou que o tenente José Luis Villegas, de 31 anos, vai liderar a equipe do Grupo de Operações Policiais Especiais (GOPE) que descerá buscar os mineiros, os quais poderiam ser elevados em um arnês do tipo maca.
O militar classificou como "incrível o nível de disciplina que manejam" os trabalhadores e "como valorizam seu líder e as formas de trabalho" - iniciativas que ajudam a manter a união do grupo e a suportar o tempo de confinamento até a finalização dos resgates.
Neste domingo (29), os mineiros receberam mais uma mensagem de apoio, do papa Bento 16, em seu discurso dominical em Roma.
O primeiro contato com os operários foi estabelecido há uma semana, no domingo passado, quando as autoridades já consideravam poucas as chances de encontrá-los com vida. Desde então, uma sonda possibilita o envio de água, alimentos, jogos e cartas dos parentes aos homens, que contam com acompanhamento médico constante.
Nas últimas horas, eles receberam uma câmara de vídeo com a gravação de mensagens de dois minutos enviadas pelas 33 famílias que os esperam na superfície, abrigadas no acampamento Esperança, nas proximidades. Os parentes revelaram terem encaminhado mensagens alegres e com esperança, como pediram os psicólogos, e com detalhes do que está acontecendo no exterior da mina.