Roberto Gonçalves
 

O canto singelo das destaladeiras de fumo de Arapiraca ”acabou-se o fumo” para comemorar e anunciar o fim da colheita do produto é o título do livro do professor, Jean Baptiste Nardi, francês e Doutor em História Econômica. O lançamento da obra vai ocorrer no próximo dia 13 de setembro no auditório da Universidade Estadual de Alagoas – Uneal em Arapiraca.
O autor que esta publicando o 5º trabalho conhece com detalhes Arapiraca e a região Agreste desde 1983. Sempre manteve relacionamento com o professor, pesquisador e historiador, Zezito Guedes de quem absorveu muitas informações e dados sobre a cultura fumageira em Arapiraca e região.
Especialista em história sobre a economia fumageira, Jean Baptiste Nardi se sensibilizou pela crise que vivenciou a cultura Fumageira e suas mais diversas conseqüências econômicas e sociais nos municípios que integram a região Agreste a exemplo de Arapiraca, Craíbas, Girau do Ponciano, Campo Grande, Feira Grande, Lagoa da Canoa, São Sebastião, Coité do Noia, Taquarana e Limoeiro de Anadia.
Para concluir sua pesquisa com foco na cultura do fumo o autor realizou pesquisas no período entre 2001 a 2009. Nesse trabalho contou, segundo o autor, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas e do CNPq.
De acordo com o autor, para publicar seu trabalho encontrou dificuldades, mas venceu o desafio e a publicação se deve essencialmente ao incentivo dos amigos sua determinação, e ao Sindicato da Indústria do Tabaco do Estado da Bahia que proporcionou o patrocínio.
Crise abala a economia local e regional
De acordo com a pesquisa explica Jean Baptiste Nardi, que após 1998 a cultura fumageira sofreu sério declínio e os resultados foram imprevisíveis e abalpu toda a sociedade arapiraquense e regional.
Nesse aspecto, episódios ainda inéditos e desconhecidos da região onde o tabaco virou “ouro negro”, são detalhados no livro. Os fatos, de acordo com o autor são baseados em fatos históricos, geográficos, políticos e culturais.
O autor faz projeções sobre o futuro, e adverte sobre os riscos de Arapiraca e região virem a sofrer seios danos na sua economia, se não buscar, em tempo hábil soluções econômicas viáveis para substituir a principal fonte de renda que foi o fumo na sua fase áurea em Arapiraca e região Agreste.
No entanto o autor, se diz otimista e acredita no sucesso econômico inspirado no brilho da estrela de Arapiraca no cenário do céu de Alagoas.
Fumo e feira livre
De acordo com Jean Baptiste, o fumo e a feira livre são dois pilares históricos da economia da terra de Manoel Andre. E Explica, eles estão nas suas origens nas suas raízes, na vocação agrícola e comercial. “Esses aspectos estão profundamente enraizados na cultura do seu povo,” completa.
Atualmente essas suas atividades, infelizmente, estão em fase de desaparecimento e deixam um rastro de saudade e nostalgia nos arapiraquenses. Muito foi escrito sobre a história da cultura fumageira e da feira livre e suas manifestações populares. Os fatos transmitidos às vezes mais lendários do que fatos reais.