A candidata ao Senado, Heloísa Helena (PSOL) ignorou o seu opositor, Afonso Lacerda (PRTB), no debate com os candidatos promovido pelo Diretório Central Estudantil (DCE) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Isso porque é a primeira vez que os dois se encontram após o processo judicial, movido pelo candidato contra a vereadora: com base na Lei eleitoral 135/2010 – a ‘Ficha Limpa’.
A saia justa começou nos cumprimentos, quando Lacerda estendeu a mão para a sua adversária. Ela simplesmente declinou o cumprimento e disparou: ‘por favor, me ignore’. A platéia de universitários percebeu e reagiu à ação – com uma salva de palmas. Depois disso, os contornos do encontro se voltaram para a vereadora. Na ausência de Renan Calheiros (PMDB), Benedito de Lira (PP) e Eduardo Bonfim (PCdoB), Heloísa Helena foi o alvo do debate: não a ser batido, mas a ser alcançado.
Com exceção de Álvaro Vasconcelos (PTB) e o próprio Lacerda, os outros dois adversários – José Costa (PPS) e Diógenes Paes (PCB) – se lançavam em busca do segundo voto da ex-senadora. Em meio a uma contemplação e palavras de apoio, eles tentavam unir seus nomes ao da líder do PSOL. Através de um discurso que promovia uma proximidade maior com o eleitorado universitário.
Heloísa Helena: ‘eleitor de universidade é diferente’
A vereadora fundamentou sua explanação, do debate, com base na platéia diferenciada que aguardava o seu pronunciamento. “O eleitor da universidade é diferente, não dá para comparar com o eleitor da favela”, disparou. Ela defende que é preciso manter a unidade do discurso, ao contrário do que muitas personalidades políticas vêm praticando nos palanques.
“Muitas personalidade políticas mudam o discurso, dependendo do local onde estão”, aponta Heloísa. A vereadora comentou sobre a sua escolha de permanecer em Alagoas: ‘porque eu quis’, justificou. “É preciso combater essas engrenagens que são usadas para enaltecer a ‘calhardice’ política”, declarou.
Álvaro Vasconcelos: ‘sou um mero produtor rural’
Na tentativa de se aproximar da platéia, o candidato petebista adotou a estratégia de se colocar como um simples produtor rural. “Lá, nós recebemos muitos colegas de vocês, ao lado dos meus filhos, na área de genética nelore”, admitiu. Mas a simplicidade de suas falas se revela ao admitir ter sido presidente da Associação dos Plantadores de Cana (ASPLANA).
Se caso for eleito, Vasconcelos promete trabalhar para o desenvolvimento do ensino superior, no interior do estado. “O objetivo é dar a oportunidade ao filho do produtor rural estudar”, declarou. Neste sentido, ele promete arranjar, cada vez mais, recursos para o ensino superior de Alagoas.
Diógenes Paes: ‘eu me sinto em casa’
Com passagem pela presidência do DCE, o candidato encarou o debate como um regresso à sua casa. Ele defende a sua candidatura, como um instrumento para manter a reserva moral na política: através de seu partido, o PCB. “Neste sentido, declarou meu segundo voto à senadora Heloísa Helena”, saiu em defesa da adversária.
Ele ressalta o seu engajamento político, enquanto professor de história. “A ponto de colocar o nome do meu filho de Ernesto Guevara”, declara. Assim, Paes aposta em manter viva a tradição de suas referências políticas no decorrer da história.
José Costa: ‘quem tem menos de 40 anos, não me conhece’
Na tentativa de manter acesa a tradição de seu nome, o candidato se apresentou para uma platéia de jovens eleitores. Ele abre o seu discurso falando que está há cerca de 20 anos sem um mandato federal. “Mas tenho a minha representatividade na história política deste país: seja como representante eleito ou em redações de jornais”, iniciou.
Costa relembra que participou das constituintes e tem uma trajetória política respeitável. “Aposto que vocês vão conhecer e se identificar com o meu trabalho”, promete o candidato.
Afonso Lacerda: ‘é preciso eleger representantes que dêem tapas no governo’
O assistente legislativo cobrou mais posição de seus pares. Com um discurso bastante enérgico, ele contou que os senadores eleitos devem dar ‘tapas’ na cara do Governo. “Não podemos, apenas, baixar a cabeça. É preciso haver discussão. É preciso uma posição mais enérgica”, concluiu o candidato.
