O entendimento do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) acerca da Lei Ficha Limpa, que resultou na impugnação de Alberto Sexta-Feira, Neno da Lage, Gilberto Gonçalves, Danilo Damaso e Dudu Holanda – candidatos a deputado estadual e ainda, do candidato ao governo do Estado Ronaldo Lessa e seu vice, Joaquim Brito chegou a causar surpresa em boa parte da população alagoana, além de um sentimento de justiça, visto o clamor popular para a moralização da política brasileira.

O projeto Ficha Limpa por si só surgiu de uma iniciativa popular, que mobilizou pessoas em todo o país, através de quase 2 milhões de assinaturas e contou com a ajuda de entidades como o Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral (MCCE) para que o projeto de lei fosse votado no Congresso Nacional. É o que lembra o cientista político Alberto Saldanha, acreditando que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve manter a decisão do TRE sobre as candidaturas.

Segundo Saldanha, o fato da lei ter surgido desta forma fez com que os políticos sofressem pressões para que ela fosse aprovada. “O abaixo-assinado correspondente a 1% do eleitorado brasileiro realça a finalidade da ‘Ficha Limpa’. A lei não foi criada por causa de A ou B nem de partido Y e essa foi a novidade, embora os candidatos impugnados pelo TRE afirmem que vão manter a candidatura".

O cientista político acredita que os candidatos condenados pelo TRE terão que se justificar para o eleitorado durante a disputa, o que enfraquece a campanha, fortalecendo os adversários. Ele destacou que os considerados fichas sujas também podem ter problemas com o financiamento da campanha, apesar de declararam que farão de tudo para se eleger, em busca da imunidade parlamentar. "Com isso, eles pretendem encobrir seus crimes de improbidade administrativa e homicídios".

“Os impugnados dizem que o povo vai dar a resposta nas urnas, mas é uma batalha política. Aqueles que vão concorrer a deputado estadual podem ter mais facilidade para enganar o povo desinformado, mas quem vai disputar a majoritária, comandando a chapa será mais prejudicado. Na propaganda eleitoral isso vai ser muito explorado”, destacou.

Ele lembrou que o TSE deve julgar os recursos até o final de agosto. Já o Supremo Tribunal Federal (STF) pode demorar para decidir sobre a impugnação dos candidatos, o que deve levar muitos fichas sujas a ocuparem os cargos que disputam. “A eleição pode chegar e o STF não ter decidido nada, apesar da lei determinar que esses processos são prioridade. Alguns políticos têm a esperança de ocuparem o mandato os 4 anos, sem uma definição, mas isso colocará a justiça brasileira em xeque”, ressaltou Saldanha.