Apesar de ainda não ter recebido denúncias formais sobre a compra de votos em Alagoas acerca das eleições de outubro deste ano a Comissão de Combate à Corrupção Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional Alagoas vem desenvolvendo um trabalho conjunto com a Arquidiocese de Maceió, o Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral (MCCE), a Polícia Federal, o Tribunal Regional Eleitoral, o Ministério Público Federal entre outras entidades em áreas onde a prática é comum, a exemplo do interior do Estado.
Segundo o coordenador da Comissão, Álvaro Barbosa as denúncias ainda são poucas devido a recente homologação das candidaturas e ainda, por conta de alguns candidatos terem pendências na justiça. Ele explicou que entre as ações para conscientizar o eleitorado sobre a importância de não vender o voto estão palestras em escolas, associações e divulgação nos meios de comunicação. Para Barbosa, muitos políticos temem as consequências da Lei Ficha Limpa e a intervenção da sociedade civil organizada no processo eleitoral.
“Esperamos que mais entidades se engajem nessa luta em nome da cidadania. Tivemos uma audiência na Secretaria Estadual de Educação para intensificar as ações entre os jovens. No último sábado fomos a União dos Palmares onde foram distribuídas cartilhas confeccionadas pela Arquidiocese, além da participação em seminários do Focco/AL. Sabemos que alguns candidatos entrarão em desespero para ganhar a eleição, mas estamos prontos para impedir que eles façam isso comprando votos”, contou.
Barbosa revelou que a PF já conhece potenciais locais onde a compra de votos acontece. Além disso, a comissão vai enviar advogados para fiscalizar esses pontos. “No Estado existem lugares emblemáticos e o TRE também costuma fazer esse levantamento e nos repassa. É um trabalho conjunto, mas precisamos de provas para a formalização. Celulares com câmeras serão muito importantes, além de listas com nomes de eleitores e testemunhas, pois a justiça não aceita denúncias vazias. Então, se uma residência for usada para isso temos que identificar o responsável, para que o inquérito seja robusto”, destacou.
Ele afirmou que a política vivenciou um momento histórico com a cassação dos vereadores por Maceió Dino Júnior e Nery Almeida, acusados por compra de votos e ainda, que a Lei Ficha Limpa já pegou e fez o povo voltar a acreditar na moralização das eleições.
“No Brasil não só vereadores foram afastados. A cassação do mandato de dois governadores e recentemente a decisão do TRE sobre o deputado Alberto Sexta-feira, que ficou inelegível marcam essa nova etapa. Não podemos aceitar que assassinos e bandidos compradores de alma e consciência fiquem no poder”, ressaltou.
Compra de votos no interior de AL
A professora MCL, que é do povoado Lagoa de Pedra, no município de Pão de Açúcar contou que muitos moradores já comentam sobre a possibilidade de ganhar dinheiro durante as eleições. De acordo com ela, os vereadores costumam ser os cabos eleitorais dos candidatos a deputado estadual e distribuem material de construção alguns meses antes do pleito, deixando para dar dinheiro dias antes ou após a pessoa votar.
