As autoridades do Paquistão continuaram hoje com seus esforços para dar assistência aos afetados pelas maiores inundações dos últimos 100 anos no país, que deixaram três milhões de desabrigados até o momento.

Dezenas de helicópteros militares sobrevoaram hoje as áreas invadidas pelas águas sem conseguir resgatar milhares de pessoas no noroeste do país, a região mais prejudicada pelas enchentes, por causa do mau tempo.

O próprio primeiro-ministro paquistanês, Yousef Raza Guilani, teve que suspender sua visita a uma das áreas afetadas devido ao mau tempo, segundo um comunicado divulgado por seu gabinete.

Caso a previsão de chuvas para os próximos dias se concretize, a magnitude da catástrofe pode aumentar. Na província de Punjab, no leste do país, o leito do rio Indo transbordou e já afetou terras em um raio de entre 20 e 30 quilômetros, segundo as autoridades.

"O Governo do Paquistão está fazendo o possível, mas esperamos mais chuvas. (A região de) Sindh (sudeste) é um motivo de preocupação. Temos que tirar as pessoas", declarou hoje em entrevista coletiva o vice-ministro de Informação, Samsam Ali Bokhari.

Bokhari relatou que muitos aldeões resistem a abandonar seus lares, pertences e cultivos.

O general Nadeem Ahmad, diretor da Comissão de Inundações, evitou comparar a tragédia atual ao terremoto de 2005 na região da Caxemira (norte) e lembrou que é cedo para fazer um balanço dos danos.

Algumas fontes oficiais citadas pela imprensa paquistanesa calcularam em US$ 3,5 bilhões os fundos necessários para a recuperação das áreas afetadas. O Governo deve fazer um pedido à comunidade internacional, enquanto dialoga com os organismos humanitários multilaterais.

Por enquanto, Estados Unidos, Reino Unido, China, Austrália e Japão, além da União Europeia (UE), prometeram ajudas que, somadas, chegam a cerca de US$ 70 milhões.

"É cedo para determinar uma cifra exata. Em muitas áreas, a água ainda não desceu", ressaltou o general Ahmad.

Segundo estimativas anunciadas pelo general, já há mais de três milhões de afetados pelos estragos das enchentes. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), são 3,2 milhões de pessoas.

Dos desabrigados, 1,5 milhão são da província de Khyber-Pakhtunkhwa (noroeste) e outros 1,5 milhão, de Punjab.

De acordo com Ahmad, que dirige também a Autoridade Nacional de Gestão de Desastres, as vítimas fatais confirmadas são 951, número que permaneceu sem mudanças nos últimos dias apesar de algumas fontes oficiais terem elevado a quantidade de falecidos até 1.500.

Mais de 50 mil casas ficaram total ou parcialmente destruídas, pelo menos 50 pontes caíram e várias estradas continuam fechadas.

As agências humanitárias tentam ajudar a população com uma agenda que tem como objetivos prioritários o fornecimento de água potável, comida e serviços médicos para evitar a propagação de doenças como diarreia e cólera.

Fontes da ONU ressaltaram hoje à Agência Efe que o Governo paquistanês suspendeu "temporariamente" as restrições de circulação a trabalhadores estrangeiros para facilitar as atividades de assistência.

O Governo apontou a luta do Exército contra a insurgência talibã no noroeste como o motivo dessa restrição, vigente desde o início do ano em todo o país com exceção das cidades de Islamabad, Lahore e Karachi.