As ameaças do senador e candidato ao Governo de Alagoas, Fernando Collor de Melo (PTB), ao jornalista Hugo Marques, da revista IstoÉ, ainda é assunto comentado em solo alagoano e nacionalmente. O assunto foi destaque em diversos portais e traz um questionamento quanto à postura do atual senador.
O caso, que pode servir de ‘arma’ dos outros candidatos ao Executivo Estadual – Teotonio Vilela (PSDB) e Ronaldo Lessa (PDT) – quando a campanha estiver a todo vapor, ainda não havia sido comentado pelos adversários políticos de Collor.
Utilizando o twitter, o candidato Teotonio Vilela respondeu um de seus seguidores que fez alusão ao ocorrido com o senador. Na pergunta, o internauta diz: “Se o Senhor me encontrar vai meter a mão na minha cara? (Eu não sou filho da puta)”.
Ao que tudo indica, a indagação do seguidor do tucano é uma forma de tentar obter do candidato uma posição ou ‘resposta’ diante da ameaça destilada pelo candidato Collor. E Vilela assim respondeu: “Deus me livre. Nunca levantei a mão pra ninguém, meu pai me ensinou a respeitar a democracia e a opinião de todos”.
As ameaças
O senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB-AL) ligou para a redação da sucursal de Brasília (DF) da revista IstoÉ, na tarde da última quinta-feira (29), e ameaçou esbofetear o jornalista Hugo Marques por conta de uma nota na edição de 21 de julho sobre o pedido de impugnação da candidatura do político alagoano.
"Quando eu lhe encontrar, vai ser para enfiar a mão na sua cara, seu filho da puta", vociferou Fernando Collor após explicar ao repórter o motivo de sua ligação. A ameaça partiu por conta da revista promover que o ex-presidente estaria inelegível - por critério Ficha Suja. A publicação divulgou, inclusive, uma nota que apontava esta possibilidade.
A Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgou nesta sexta-feira uma nota de repúdio quanto às ameaças e insultos feitos pelo senador e ex-presidente da República Fernado Collor de Mello (PTB-AL) contra o jornalista Hugo Marques, da revista IstoÉ na quinta-feira.
A nota, assinada pelo vice-presidente da ANJ e responsável pelo Comitê de Liberdade de Expressão, Júlio César Mesquita, diz que "é inadmissível que qualquer candidato a cargo público manifeste tamanho desconhecimento do papel da imprensa nas sociedades democráticas a ponto de reagir a notícias - no caso factuais e baseadas em informações da Justiça Eleitoral - com destempero e truculência".
- Atitude tanto mais condenável por se tratar de cidadão que já exerceu os mais altos postos da República - diz a nota de repúdio.
O motivo dos insultos ditos por Collor teria sido uma nota publicada na edição de 21 de julho sobre o pedido de impugnação da candidatura do político alagoano. Em entrevista ao Portal IMPRENSA, o jornalista ameaçado declarou que, ao constatar o teor da ligação, preferiu desligar o telefone imediatamente.
- Eu não queria ouvir insultos e nem responder. Fico preocupado dele tentar arrancar alguma agressividade minha. Se eu criar um conflito com ele, fico impedido de cobrir. Então não falei nada - revelou.
Leia abaixo a nota na íntegra:
NOTA À IMPRENSA
A Associação Nacional de Jornais (ANJ) repudia a ameaça de agressão e os insultos proferidos contra o jornalista Hugo Marques pelo senador e ex-presidente da República Fernando Collor de Mello (PTB-AL), em ligação feita para a redação da sucursal de Brasília (DF) da revista IstoÉ - e cuja gravação vem sendo veiculada pela internet -, na tarde da última quinta-feira (29).
É inadmissível que qualquer candidato a cargo público manifeste tamanho desconhecimento do papel da imprensa nas sociedades democráticas a ponto de reagir a notícias - no caso factuais e baseadas em informações da Justiça Eleitoral - com destempero e truculência. Atitude tanto mais condenável por se tratar de cidadão que já exerceu os mais altos postos da República.
No momento em que se inicia mais uma campanha eleitoral, a ANJ espera que, a exemplo da imensa maioria do eleitorado, que tem se comportado com civilidade eleição após eleição, também os candidatos ajam com espírito democrático, decoro e respeito às instituições e às liberdades.
A ANJ insiste junto às autoridades competentes para que assegurem a plena vigência dos princípios constitucionais de liberdade de expressão e promovam a imediata apuração dos eventuais abusos, assim como o devido processo legal nos casos comprovados de atropelos aos referidos princípios.
