O Movimento de Combate ao Crime Eleitoral (MCCE) e várias entidades da sociedade se reúnem, nesta sexta-feira (30), para promover um ato contra a candidatura de Fernando Collor de Mello (PTB), ao Governo do Estado. “A iniciativa partiu do preconceito que a sociedade alagoana vem sofrendo de outras partes do país”, declarou a cúpula do Movimento.
Principalmente, depois que o candidato ligou para a sucursal de Brasília, da revista Isto É, para agredir e intimidar um jornalista. As primeiras informações apontam que a ameaça partiu por conta da revista promover que o ex-presidente estaria inelegível - por critério Ficha Suja. A publicação divulgou, inclusive, uma nota que apontava esta possibilidade.
Ao que tudo indica esse movimento não pretende ficar limitado a reuniões em escritórios e iniciativas isoladas. “Nós vamos ganhar as ruas, vai ser a volta dos caras pintadas”, declarou a cúpula. Ainda de acordo com o MCCE, o objetivo é alertar aos eleitores mais novos sobre quem foi o candidato há 20 anos e quando assumiu a presidência.
Mal começou a tomar forma, o ato já ganhou notoriedade e o apoio de outras instituições do país. Como é o caso do Movimento Popular Pró-Justiça e Cidadania, de São Paulo. “Eles entraram em contato conosco e disseram que é preciso haver este engajamento aqui no estado. Nós já estamos entrando em contato com outras entidades”, explicou o Movimento.
“É preciso aprofundar mais a discussão”, alerta MSCC
O presidente do Movimento Social de Contra o Crime e Corrupção (MSCC), Jorge Venerando, destacou que antes de colocar o ‘bloco na rua’ é preciso debater o assunto e chamar mais entidades para não ser um ato isolado. “Eu vejo como uma atitude positiva, mas, é preciso discutir e aprofundar mais o assunto”.
O sindicalista destaca a necessidade de haver um engajamento em massa da sociedade, para que não haja um ato isolado. “Temos que ouvir todas as pessoas que têm interesse em participar do Ato”, destaca o sindicalista. Ele conta que o ato dos ‘caras pintadas’ foi outra realidade. “Nós vivemos outro momento, naquela época eu fui às ruas a favor do Impeachment”, recordou Venerando.
A postura, pelo menos agora, é discutir a melhor estratégia de abordagem do tema. “Mesmo com a efervescência do assunto, uma ameaça a jornalista – com um passado tão recente – é preciso ponderar e adotar a melhor saída”, concluiu o sindicalista.
ANJ: nota de repúdio
A Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgou nesta sexta-feira uma nota de repúdio quanto às ameaças e insultos feitos pelo senador e ex-presidente da República Fernado Collor de Mello (PTB-AL) contra o jornalista Hugo Marques, da revista IstoÉ na quinta-feira.
A nota, assinada pelo vice-presidente da ANJ e responsável pelo Comitê de Liberdade de Expressão, Júlio César Mesquita, diz que "é inadmissível que qualquer candidato a cargo público manifeste tamanho desconhecimento do papel da imprensa nas sociedades democráticas a ponto de reagir a notícias - no caso factuais e baseadas em informações da Justiça Eleitoral - com destempero e truculência".
- Atitude tanto mais condenável por se tratar de cidadão que já exerceu os mais altos postos da República - diz a nota de repúdio.
O motivo dos insultos ditos por Collor teria sido uma nota publicada na edição de 21 de julho sobre o pedido de impugnação da candidatura do político alagoano. Em entrevista ao Portal IMPRENSA, o jornalista ameaçado declarou que, ao constatar o teor da ligação, preferiu desligar o telefone imediatamente.
- Eu não queria ouvir insultos e nem responder. Fico preocupado dele tentar arrancar alguma agressividade minha. Se eu criar um conflito com ele, fico impedido de cobrir. Então não falei nada - revelou.
Leia abaixo a nota na íntegra:
NOTA À IMPRENSA
A Associação Nacional de Jornais (ANJ) repudia a ameaça de agressão e os insultos proferidos contra o jornalista Hugo Marques pelo senador e ex-presidente da República Fernando Collor de Mello (PTB-AL), em ligação feita para a redação da sucursal de Brasília (DF) da revista IstoÉ - e cuja gravação vem sendo veiculada pela internet -, na tarde da última quinta-feira (29).
É inadmissível que qualquer candidato a cargo público manifeste tamanho desconhecimento do papel da imprensa nas sociedades democráticas a ponto de reagir a notícias - no caso factuais e baseadas em informações da Justiça Eleitoral - com destempero e truculência. Atitude tanto mais condenável por se tratar de cidadão que já exerceu os mais altos postos da República.
No momento em que se inicia mais uma campanha eleitoral, a ANJ espera que, a exemplo da imensa maioria do eleitorado, que tem se comportado com civilidade eleição após eleição, também os candidatos ajam com espírito democrático, decoro e respeito às instituições e às liberdades.
A ANJ insiste junto às autoridades competentes para que assegurem a plena vigência dos princípios constitucionais de liberdade de expressão e promovam a imediata apuração dos eventuais abusos, assim como o devido processo legal nos casos comprovados de atropelos aos referidos princípios.
