Foram tão poucos os bancos reprovados na Europa no esperado teste de estresse da sexta-feira que os investidores provavelmente focarão sua atenção, quando o mercado reabrir na segunda-feira, nas instituições que passaram com dificuldade na prova.

Sete bancos foram reprovados no teste sem precedentes sobre o sistema bancário europeu, incluindo cinco pequenas instituições de crédito regionais da Espanha, e precisam estancar o déficit de capital de 3,5 bilhões de euros, menor que o esperado.

Mas a checagem da saúde financeira de 91 bancos em 20 países foi criticada como sendo muito branda. Esse fator foi ofuscado de certa forma pelas informações das economias europeias de que os bancos podem enfrentar menor pressão e inadimplência de empréstimos do que pensado anteriormente.

Isso deixa para os investidores a responsabilidade de tomar suas decisões em relação a alguns bancos, já que estão armados com os dados que o teste forneceu, inclusive sobre títulos soberanos, para julgar onde podem estar os pontos fracos.

"Com tão poucos bancos reprovados, os investidores irão questionar se os cenários econômicos são suficientemente severos", afirmou Jon Peace, analista da Nomura em Londres.

"Será natural para investidores considerarem a margem pela qual os bancos foram aprovados", acrescentou, citando uma boa margem para instituições financeiras escandinavas e britânicas. Bancos gregos, espanhóis e italianos, entretanto, não foram tão bem.

Os bancos foram testados sobre como eles resistiriam a outra recessão nos próximos dois anos, incluindo algumas perdas em títulos do governo. Eles seriam reprovados se suas reservas de capital Tier 1 caíssem abaixo de 6 por cento.

Houve 17 bancos cuja taxa ficou entre 6 e 7 por cento. Entre eles estavam Deutsche Postbank, o grego Piraeus Bank, Allied Irish Banks, Monte dei Paschi di Siena, da Itália, e UBI Banca. O espanhol Bankinter e outros oito bancos menores do país também ficaram nessa margem.

PONTOS FRACOS

Mesmo nas horas que antecederam a divulgação dos resultados, o Banco Nacional da Grécia, o esloveno NLB e o espanhol Civica anunciaram planos para levantar capitais.

O Piraeus já contratou três bancos de investimento para firmar um aumento de capital de mais de 1 bilhão de euros, informou neste sábado um jornal grego, embora grande parte desse montante possa ir para a aquisição de fatias estatais de outros dois bancos gregos.

O Postbank, maior banco alemão em termos de clientes, identificou seu problema de capital meses atrás. A instituição tomou medidas drásticas no ano passado para melhorar seu capital, incluindo o corte de empregos e redução de ativos. O banco afirma que vai continuar com as reformas.

Franz-Christoph Zeitler, vice-presidente do Bundesbank (banco central alemão), afirmou: "Na visão dos reguladores, nenhum outro banco alemão (a não ser o Hypo Real Estate) precisa de mais capital, pois o nível de 6 por cento está claramente acima do mínimo, mas os mercados podem ver de forma diferente."

Pequenos bancos da Itália também serão alvo de análises minuciosas.