O otimismo ronda os negócios voltados ao consumo gay na Argentina, que esperam novo impulso para suas atividades após a aprovação da lei de casamento entre pessoas do mesmo sexo, pioneira na América Latina, na última quinta-feira (15).

Se a Argentina, e em particular Buenos Aires, já era referência para o turismo gay, agora os empresários do setor preveem um aumento na chegada de visitantes homossexuais.

Germán Arballo, empresário do ramo de turismo, diz que espera que muitos casais viajem para a Argentina para se casar.

- Espero um impacto muito positivo, porque todos os negócios que tenho são orientados ao mercado gay. Por isso, certamente muitos casais de estrangeiros virão à Argentina só para se casar.

Segundo Arballo, na Argentina - país que nos primeiros cinco meses do ano recebeu cerca de 1 milhão de estrangeiros que gastaram cerca de R$ 1,76 bilhões (US$ 1 bilhão) -, quase dois de cada dez turistas são homossexuais.

- Buenos Aires se tornou a cidade mais importante da América Latina para o turismo gay. Com a lei que permitia a união civil em Buenos Aires, a afluência de turismo gay já tinha aumentado 15% sobre o total de turistas. Agora, essa proporção é de quase 18%.

Brasileiros, americanos e europeus são maioria entre os viajantes homossexuais que elegem a Argentina, não só pelo ambiente "gay friendly", mas pela conveniente taxa de câmbio. Para Arballo, esse é um fato essencial.

- O turista gay gasta mais. Na Argentina, mais ainda, porque o peso está muito barato em relação ao dólar e ao euro.

Darío Tamanini, um dos primeiros e poucos organizadores de casamentos orientados aos casais gays no país, já se prepara para um "boom" de trabalho. No mesmo dia da aprovação da lei que autoriza o casamento homossexual, ele recebeu dez chamadas de interessados em organizar o casamento.

- Começamos no ano passado a organizar cerimônias de compromissos entre gays, que tinham muito medo de contratar serviços com empresas tradicionais de eventos.

O próprio Tamanini pode ser considerado um pioneiro no ramo, já que fundou sua empresa de festas no centro de Córdoba, uma sociedade caracterizada pelo conservadorismo.

Para a lua-de-mel, os casais homossexuais podem optar pelo destino clássico na Argentina: a cidade Bariloche, no sul, região romântica, rodeada de montanhas e ar puro.

A primeira agência de turismo gay de Bariloche já começou a promover um pacote que promete opções para que os recém-casados desfrutem ao máximo da vista panorâmica e de toda a região. Cristian Signorelli, proprietário do negócio, diz que antes mesmo da lei já havia pessoas interessadas.

- Já tivemos várias consultas de gente interessada e, agora que se legalizou o casamento homossexual, esperamos receber mais contatos com relação a esse pacote.