A Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) anunciou nesta sexta-feira que enviará uma força policial com 52 agentes desarmados ao sul do Quirguistão. A tropa terá como missão monitorar a manutenção da paz na região que foi palco, no mês passado, de violentos confrontos étnicos entre quirguizes e a minoria uzbeque.

O contingente da OSCE devem ficar em Osh e Jalalabad por um prazo prorrogável de quatro meses e trabalharão conjuntamente com a polícia local e unidades do Ministério de Interior. O número de policiais poderia ser ampliado para 102, em caso de necessidade.

Rússia e Estados Unidos, ambos membros da OSCE, observam com preocupação a situação no Quirguistão, onde ambos mantêm bases aéreas militares. A base americanas em Manas é uma parte importante da rota de abastecimento das tropas internacionais no Afeganistão.

Ao menos 208 morreram nos confrontos étnicos entre quirguizes e uzbeques em junho passado e 340 mil foram deslocados das cidades de Osh e Jalalabad. O governo interino chegou a levantar a suspeita de que militantes islâmicos estariam por trás das ações violentas, que aparentemente foram parte de uma operação coordenada.

"Acabo de realizar negociações com as autoridades quirguizes. Estamos de acordo em que é preciso desdobrar o mais rápido possível no sul do país um grupo policial da OSCE", informou Hebert Salber, diretor do centro de prevenção de conflitos da organização, disse Salber, em entrevista coletiva em Almaty, antiga capital do Cazaquistão, país vizinho do Quirguistão e que ocupa este ano a Presidência da OSCE.

A decisão anunciada por Salber será debatida durante a reunião informal dos ministros de Relações Exteriores da OSCE --que será realizada hoje e amanhã em Almaty. A decisão deve ser aprovada definitivamente pelo conselho permanente da organização no próximo dia 22, em Viena (Áustria).

O Quirguistão anunciou um novo gabinete de transição nesta semana, formado após a renúncia de vários ministros interinos, que assumiram após a queda do presidente Kurmanbek Bakiyev.

Bakiyev foi deposto após manifestações da oposição na capital Bishkek, em 7 de abril, marcadas por violentos confrontos que deixaram ao menos 83 mortos. Otunbayeva, ex-ministra de Relações Exteriores, assumiu como chefe do governo provisório autoproclamado e prometeu convocar eleições em seis meses.