A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou esta quinta-feira que a anunciada libertação de 52 presos políticos em Cuba é "tardia", mas "bem-vinda".
A chefe da diplomacia dos Estados Unidos, país que carece de relações com Cuba há quase meio século, afirmou a jornalistas que é um "sinal positivo" o anúncio da libertação de grande parte do grupo de 75 dissidentes políticos detidos em 2003 na ilha comunista. "É algo tardio, mas no entanto, bem-vindo", disse Hillary.
A libertação dos 52 presos, cinco deles nas próximas horas e os demais durante os próximos quatro meses, foi anunciada na quarta-feira, após um encontro entre o presidente cubano, Raúl Castro, a Igreja Católica e o chanceler espanhol, Miguel Angel Moratinos, em Havana.
Os Estados Unidos, que mantêm um embargo comercial contra Cuba desde 1962, demandam a libertação imediata e sem condições de todos os presos políticos. O regime cubano nega que na ilha haja presos políticos e considera que os opositores são "mercenários" do governo americano.
Libertação de presos
O governo de Cuba anunciou na última quarta-feira que vai libertar 52 presos políticos, cinco deles nas próximas horas e 47 em quatro meses.
A libertação dos 52 opositores, de um grupo de 75 detidos em 2003, foi comunicada durante encontro entre o presidente Raúl Castro, o cardeal Jaime Ortega e o chanceler espanhol Miguel Angel Moratinos, segundo o texto do Arcebispado de Havana.
"O cardeal Ortega foi informado de que nas próximas horas" cinco prisioneiros "serão postos em liberdade e poderão seguir para a Espanha, em companhia de seus familiares", destacou o comunicado, sem precisar as identidades deles. Acrescentou "que os demais 47 prisioneiros também poderão deixar o país, se preferirem, depois dos trâmites de libertação.
A iniciativa é fruto do diálogo aberto pelo próprio Raúl Castro e o arcebispo Ortega no dia 19 de maio, que teve como primeiro resultado a libertação de um dissidente enfermo e o traslado de outros 12 a prisões das províncias onde residem seus familiares.
Segundo o comunicado da Igreja, o cardeal Ortega foi informado de que, além das libertações "nas próximas horas", outros seis detidos serão encaminhados para prisões próximas de sua residência.
A libertação dos políticos, em especial 25 enfermos, era a condição imposta pelo dissidente Guillermo Fariñas para acabar com a greve de fome que realiza e completa 134 dias. Fariñas está internado no hospital da cidade de Santa Clara, correndo risco de morte devido a um coágulo na jugular, pelo que, atualmente, não emite declarações para a imprensa.
Devido ao caso dos 75 políticos detidos, a União Europeia (UE) impôs sanções a Cuba, levantadas temporariamente em 2005 e definitivamente em 2008 por iniciativa ds Espanha que, nos últimos anos, tentou aproximar Havana e Bruxelas.
O chanceler espanhol, Miguel Angel Moratinos, viajou a Cuba para acompanhar o diálogo entre a Igreja e o governo e acelerar as libertações.
Segundo o chanceler espanhol, os bons resultados de sua visita "permitirão trabalhar para levantar definitivamente" a Posição Comum, que desde 1996 submete as relações da União Europeia (UE) com Cuba a avanços nos direitos humanos.
"Chegou o momento (...) de superar o bloqueio", disse Moratinos defendendo o diálogo para a cooperação. A imprensa espanhola menciona que França e Espanha receberiam os presos políticos, enquanto que o Chile se declarou oficialmente disposto a fazê-lo.
Nas prisões cubanas, estão atualmente 167 presos políticos, 34 menos que no fim de 2009, conforme relatório da opositora Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN).