A Anistia Internacional (AI) da França pediu nesta segunda-feira (5) aos deputados franceses que rejeitem o projeto de lei que começará a ser debatido amanhã na Assembleia Nacional, prevendo a proibição do véu islâmico integral em todos os espaços públicos.

A organização fala em comunicado no "mal-estar" social que o uso de um véu que cobre quase todo o rosto da mulher pode gerar.

Sobre o argumento daqueles que defendem que a proibição é necessária para a segurança pública, a organização assinala que "essas preocupações de segurança podem ser satisfeitas com restrições objetivamente necessárias" aplicáveis a certas circunstâncias ou lugares, como os aeroportos, por exemplo.

O comunicado da AI também rejeita a justificativa de que a futura lei servirá para proteger as mulheres das pressões que giram em torno de seu ambiente e da necessidade de defender os valores da República. Segundo a organização, esses valores não são compatíveis com "uma restrição discriminatória", pois "todas as pessoas têm o direito de escolher sua vestimenta e qualquer restrição de um direito não pode ser imposta por razões discriminatórias ou aplicada de forma discriminatória".

A organização pede também aos parlamentares que atuem para que as respostas a este tipo de questão social não sejam repressivas, mas "sociais e educativas".

Segundo o regulamento aprovado, as mulheres que andarem pelas ruas com véu poderão ser sancionadas com multas de até 150 euros. Já as que insistirem em usar a vestimenta se expõem a penas de até um ano de prisão e multas de até 150 mil euros.