A greve geral dos rodoviários entra no terceiro dia nesta quarta-feira (23) e eles não cumprem a determinação de manter 60% da frota circulando. E a Justiça revolve aumentar a multa diária para R$ 200 mil. Antes a multa estipulada era metade deste valor.

Na terça-feira (22), quem reinou nas ruas do Distrito Federal foram os transportes clandestinos. Para conseguir um lugar neste tipo de transporte era preciso correr. A disputa foi grande. A Polícia Militar chegou a coibir em alguns momentos. Mas tolerou em outras situações. A população confusa tentava uma forma de voltar para casa depois de mais um dia de trabalho.

“Eu estou tentando voltar para casa, o governo fala que vai botar ônibus, mas não bota. Ele está é fazendo injustiça com agente. Isso porque está todo mundo cansado, morto, ninguém é de ferro”, reclama o vendedor Bruno Ricardo da Silva.

Com a Rodoviária de Brasília literalmente entregue aos ratos, nem o pipoqueiro ficou para trabalhar, já que boa parte da clientela, os passageiros, buscava nos arredores um transporte alternativo.

“Ainda estou arriscando a vida. Eu entro no trabalho às 10h, mas preciso sair de casa às 5h para poder conseguir pegar um pirata [transporte clandestino]. Está difícil”, conta o auxiliar de serviços gerais Manoel Gilson da Silva.

Pelo segundo dia consecutivo, ônibus na Rodoviária do Plano Piloto de Brasília foi uma raridade, o que acaba sobrecarregando os outros meios de transporte. O metrô, por exemplo, ficou lotado.

Paulo de Jesus provou que é guerreiro. Ele mora em Ceilândia e trabalha no Paranoá, cidades do DF. O metrô e a bicicleta foram o jeito que encontrou para se locomover. “Para chegar ao Paranoá, eu fui de Ceilândia até a Rodoviária do Plano Piloto de metrô, depois fui de bicicleta até o Paranoá”, diz o motorista.

Um dos poucos a comemorar com todo esse transtorno no transporte público do DF foram os motoristas de táxi. Silvestre de Souza está acostumado a fazer cerca de seis viagens por dia, mas com a greve chegou a pegar até 20 clientes.

“Melhorou muito o movimento, estou fazendo muitas corridas por dia, está uma beleza”, fala o taxista.

Reunião

Nesta quarta-feira, às 11h, está prevista uma reunião entre o governador Rogério Rosso e os rodoviários, que pedem um aumento de 20%, além da renovação do acordo que prevê tíquete alimentação de R$ 256, cesta básica de R$ 103 e manutenção da jornada de trabalho de seis horas, conquistada no último acordo coletivo.

O representante dos empresários, Wagner Canhedo, alegou que prefere aguardar os próximos acontecimentos antes de se pronunciar oficialmente. Disse ainda que só pode dar aumento aos rodoviários se o reajuste de tarifas for autorizado.

Segundo Wagner Canhedo, a tarifa ideal é a mesma usada em algumas linhas do Entorno: R$ 4,25. Canhedo alega que itens como peças, pneus e combustível ficaram mais caros nos últimos anos, e que por isso o reajuste nas passagens é necessário.

Um dos grandes problemas para os usuários dos ônibus é que os rodoviários não estão cumprindo a determinação da Justiça de manter, pelo menos, 60% da frota rodando. A multa aplicada pela Justiça vai aumentar de R$ 100 mil para R$ 200 mil, por dia, em caso de desobediência.

“O sindicato ainda não tem a certeza do que aconteceu. O fato é que a direção está nas portas das garagens desde a madrugada e não há funcionários suficientes para o cumprimento dessa liminar. Esses trabalhadores são levados até a garagem por um serviço noturno especial. E a gente deduz que esse serviço não foi colocado à disposição dos trabalhadores. De forma que não tem trabalhador suficiente para o cumprimento dessa liminar”, enfatiza o presidente do Sindicato dos Rodoviários João Osório.