O chefe das tropas estrangeiras no Afeganistão, o general americano Stanley McChrystal, pediu desculpas nesta terça-feira (22) por um artigo no qual ele e seus auxiliares fazem críticas ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e a altos funcionários do governo americano.
"Eu tenho um enorme respeito e admiração pelo presidente Obama e sua equipe de segurança nacional, assim como pelos líderes civis e as tropas que lutam nesta guerra (afegã). Sigo comprometido em garantir um resultado bem-sucedido", disse o general em comunicado divulgado à imprensa.
No longo artigo polêmico, publicado na hoje pela revista americana Rolling Stone, o general e seus auxiliares criticam, às vezes de forma debochada, Obama e sua equipe, entre eles o vice-presidente Joe Biden.
- Eu ofereço minhas mais sinceras desculpas por este perfil.
Na passagem do artigo onde o general se refere ao presidente americano, ele recorda os atritos entre o exército e a Casa Branca no ano passado, quando Obama analisava o envio de reforços pedidos pelo próprio McChrystal. Ele afirma que foi um momento penoso.
Um assessor não identificado de McChrystal comenta no texto que o general ficou frustrado depois de se reunir com o presidente há um ano. "Foi uma sessão fotográfica de 10 minutos", afirmou esse assessor. "Obama claramente não sabia nada sobre ele, quem ele era. Ele não parecia muito comprometido", divulgou.
McChrystal confirmou que se sentiu decepcionado com a reunião. Ele também disse se sentir traído pelo embaixador dos EUA em Cabul, Karl Eikenberry, que se mostrou publicamente contra o envio adicional de 40 mil soldados ao Afeganistão, solicitado no final do ano passado.
No entanto, McChrystal afirmou que as criticas foram erros que refletem maus julgamentos e que nunca deveriam ser publicadas.
- Ao longo da minha carreira, vivi sob os princípios da honra pessoal e da integridade profissional. O que se reflete neste artigo está muito longe.
Casa Branca convoca general
A Casa Branca convocou Stanley McChrystal para prestar explicações sobre a entrevista na qual critica o presidente e seus assessores.
Para isto, uma fonte disse que o general deve assistir a reunião mensal sobre o Afeganistão e Paquistão pessoalmente. A oportunidade servirá para explicar ao Pentágono suas declarações.