Muitas dúvidas, especulações e poucas certezas em Alagoas após a decisão no final da noite de ontem do TSE em garantir a validade da aplicação da lei do Ficha Limpa nas próximas eleições, inclusive para os casos de condenação anteriores à vigência da lei.
Desde o início da manhã que cópias de supostos processos ou “condenações” contra este ou aquele político inundam as caixas de e-mails explicando que tal candidato não terá seu registro para a eleição.
O coordenador do Movimento Contra a Corrupção Eleitoral (MCCE) em Alagoas, o advogado Adriano Argolo, disse em entrevista ao Cadaminuto que entre os envolvidos, no recente cenário político alagoano, há condenados por escravatura, improbidade administrativa, assassinatos, dentre outros crimes. “Não podemos esquecer, também, daqueles que foram condenados a perder seus cargos por mudanças partidárias ilegais”, relembrou.
O Movimento acredita que esta seja a melhor hora para cobrar do juiz Gustavo Souza Lima que ele julgue os envolvidos na Operação Taturana. “Agora não há nada mais que o impeça de julgar cada processo. Nós cansamos de entrar em contato, a sociedade quer Justiça”, concluiu.
Mas o grande problema passa a ser este, a Lei da Ficha Limpa alcançará todos os candidatos que tiverem condenação em órgão colegiado (por mais de um juiz), e vários dos processos contra políticos em Alagoas simplesmente não chegam ao Pleno.
O MCCE não comenta nomes, muito menos a dimensão desta mudança, aqui no estado.
“Para se ter uma idéia, no Paraná e em Rondônia a mudança pode impugnar 68% das candidaturas que já apontam como certas”, ponderou. No entanto, Alagoas é um estado emblemático.
“Nós somos referência em matéria de impunidade eleitoral, por isso que estou articulando a vinda do comitê nacional, para um estudo de caso”, explicou o advogado.