O agora candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, subiu o tom das críticas ao governo durante o discurso que fez na convenção nacional de seu partido, realizada neste sábado (12) em Salvador. O evento serviu para oficializar a candidatura de Serra.

O tucano falou por 46 minutos e abordou um amplo leque de temas. Lembrou da infância humilde no bairro da Moóca, em São Paulo, e do tempo em que foi obrigado a viver no exílio devido à ditadura militar. Em vários momentos, tentou colar sua imagem à de um político que conhece e entende as dificuldades do povo brasileiro e repetiu o bordão que caracteriza sua campanha: "O Brasil pode mais".

- Meus sonhos da época são meus sonhos de hoje, um Brasil mais justo, mais forte e igualitário, na renda e nas oportunidades. Meus sonhos continuam vivos no desejo de uma boa educação para os filhos dos pobres para que, como eu, cada brasileirinho, cada brasileirinha possa seguir seu caminho e suas esperanças.

Quando partiu para o ataque contra o governo e a presidenciável petista, Dilma Rousseff, sua adversária na corrida pelo Planalto, tomou sempre o cuidado de não citar nomes. As críticas foram veladas. Em referência indireta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criticou os governantes que confundem sua figura com a do próprio Estado. Lembrou do rei Luís XIV da França, conhecido como o Rei-Sol e famoso pela frase “o Estado sou eu”.

- Acredito que o Estado deve se subordinar à sociedade, e não ao governante da hora, ou a um partido. O tempo dos chefes de Governo que acreditavam personificar o Estado ficou para trás há mais de 300 anos. Luís XIV achava que o Estado era ele. Nas democracias e no Brasil, não há lugar para luíses assim.

Em outro trecho, também sem mencionar Lula ou o PT, afirmou que o Congresso não pode ser mais espaço para” mensalões”, referindo-se ao escândalo de pagamentos feitos a aliados que foi revelado em 2005.

- O poder não corrompe. É o homem que corrompe o poder.

Outra frente explorada por Serra e pelos aliados que discursaram antes - entre eles o ex-governador mineiro Aécio Neves, com quem chegou a disputar a candidatura - foi a experiência adquirida em outros cargos.

- Não comecei ontem e não caí de pára-quedas. Apresentei-me ao povo brasileiro, fui votado, exerci cargos, me submeti ao julgamento da população, fui aprovado e votado de novo.

O ex-governador de São Paulo disse ter “orgulho” dos mais de 80 milhões de votos que recebeu durante toda a sua trajetória política.

- Oitenta milhões de vezes brasileiros me disseram "sim, siga em frente que nós te apoiamos".

Serra também fez promessas. Voltou a falar da importância de melhorar a área da segurança, intensificando o combate ao tráfico de drogas, mas tratou como prioritários assuntos de saúde e educação.

- Faço questão de explicitar três compromissos com a educação. O primeiro é dar prioridade à qualidade do ensino. O segundo, é criar mais de 1 milhão de novas vagas em novas escolas técnicas, e o terceiro é multiplicar os cursos de qualificação, mais curtos, para trabalhadores desempregados.

Quando se referiu ao Bolsa Família, um dos principais projetos do governo Lula, prometeu continuidade, mas com avanços.

- Reforçaremos o Bolsa Família, dando uma ajuda de custo para os jovens cujas famílias dependem desse programa, para que possam se manter enquanto fazem os cursos profissionalizantes.

Na área econômica, Serra lamentou que o país esteja hoje entre os "campeões" em alguns rankings negativos mundiais.

- Temos a segunda mais baixa taxa de investimento governamental do mundo, a maior taxa de juro real e a maior carga tributária entre os países em desenvolvimento. Somos recordistas em três campeonatos em que não precisamos ser. Nós só precisamos ganhar no futebol.