Os principais nomes da eleição majoritária de Alagoas se reuniram na tarde desta quarta-feira (09), no aeroporto Zumbi dos Palmares, enquanto aguardavam o presidente Luís Inácio Lula da Silva. Ronaldo Lessa (PDT), Renan Calheiros (PMDB), Teotônio Vilela Filho (PSDB) e Fernando Collor (PTB) se encontraram em uma das salas do aeroporto.

Com base nos últimos acontecimentos, tudo pode acontecer neste encontro nada casual. O que parece ser uma das peças pregadas pelo destino, cai por terra quando é público e notório que o Planalto está em campanha para uma desistência de Collor, na corrida pelo Governo do Estado.

Até parece que Lula reuniu cada peça deste quebra-cabeça e os colocou em uma mesma sala, na busca por um entendimento: com o objetivo que a sua candidata tenha um palanque único e o apoio total de seus aliados. Pelo menos esta foi a impressão mais clara que as figuras presentes deixaram para quem viu os grupos chegando ao grande palco ‘Zumbi’.

Enquanto que o ‘Frentão’, com Lessa, Calheiros e Eduardo Bonfim (PCdoB) chegavam sorridentes, cumprimentando eleitores e falando com a imprensa, isoladamente e extremamente hostil, o ex-presidente cumprimentava poucos eleitores e – a passos largos – se dirigia à sala de espera.

Estava claro que estes eram grupos distintos, mas, com o mesmo regimento: Dilma Rousseff. Era nítida a segurança e confiança dos ‘três mosqueteiros’. Confiança esta que só o Planalto é capaz de oferecer. Já Fernando Collor estava hostil, arredio, parou poucas vezes para cumprimentar eleitores: o incômodo estava estampado.

O último a chegar foi Vilela. Ao contrário dos demais, o Governador não cruzou o salão do Aeroporto. Ele chegou à sala pela pista. De acordo com informações da própria INFRAERO, Téo chegou de helicóptero e aguardava a chegada do presidente Lula em um hangar. Enquanto isso, ele foi informado sobre a presença de seus antigos aliados e ponderou bastante até decidir encontrá-los.

Política

Deste encontro, pode sair de tudo. Muitos apostam em uma virada de mesa na eleição majoritária estadual. Pelo menos este foi o discurso mantido por Bonfim. O candidato ao senado deixou claro que o palanque rachado não é bom para ninguém “Não é bom para as partes estaduais, muito menos para a Dilma”, alfinetou.

O representante comunista da aliança acredita em um entendimento. Talvez esta seja a motivação central de toda esta manobra. Lula deve estar um tanto quanto desconfortável com esta divisão de aliados. Pelo menos foi o que deixou claro o Ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), em sua última visita a Alagoas.

O presidente nacional do partido de Lessa afirmou que o Planalto se articulava para negociar com Collor, tentar tirá-lo desta disputa. No entanto, Renan parece desconhecer o assunto. O Senador disse que não foi convidado ou sequer ouviu falar qualquer coisa a respeito.

“Não acredito que Lula tenha vindo para isso. A obra é muito importante. Os recursos vêm em boa hora. Não é o momento de discutir isso agora”, declarou Calheiros. Esse tom mais brando é justificável. O Senador ainda não sabe o que fazer com o desertor de seu partido, Joaquim Beltrão (PMDB).

O deputado federal se colocou a disposição de Fernando Collor, contrariando o apoio de seu partido à Lessa. Em inaugurações recentes, na cidade de Coruripe – reduto eleitoral da família Beltrão – Joaquim discursou bravamente como vice do ex-presidente. “Agora, paciência”, encerrou o assunto, Renan Calheiros.

Já Ronaldo Lessa se limitou a falar de seu vice. O pré-candidato ao Governo afirmou que não espera mais por Almeida. “Agora são águias passadas. Ele disse que não queria. O PT volta a ser a bola da vez. Aguardo o posicionamento do partido.

Atualizada às 17h.