Os esforços diplomáticos para punir a Coreia do Norte por afundar um navio de guerra sul-coreano teriam poucos efeitos em um regime que "não se importa" com o mundo externo ou sua própria população, afirmou o secretário de Defesa americano, Robert Gates, à BBC.

Gates disse que "se o regime não se importa com o que o mundo pensa, se não se importa com o bem-estar de sua própria população, francamente, não há muito o que fazer, a menos que se queira em algum momento usar força militar", disse. "E ninguém deseja isso", completou.

Não há vontade de desencadear o colapso do Norte ou "ver outra guerra na península", disse.

Citando a natureza imprevisível do regime, Gates disse que as motivações da Coreia do Norte no suposto ataque a uma embarcação sul-coreana ainda não estão claras e levantou a possibilidade de mais "provocações".

"Temos que imaginar o que eles estavam pensando e se haverá mais provocações", disse.

Gates fez tais declarações durante um fórum realizado em Cingapura, onde demonstrou total apoio a Seul e pediu ações da comunidade internacional para condenar Pyongyang pelo suposto ataque via torpedo da embarcação Cheonan, que deixou 46 marinheiros sul-coreanos mortos.

Na entrevista dada à BBC, ele disse que a Coreia do Norte frequentemente surpreendeu seu aliado mais próximo, a China, com ações agressivas, e que a influência de Pequim sobre o Norte não pode ser exagerada.

"Não há dúvida que a China tem mais influência do que qualquer potência na Coreia do Norte", mas ela é limitada, disse. "E a frequência com a qual o regime da Coreia do Norte surpreende a China ilustra isso."

Em um discurso feito neste sábado em Cingapura, Gates afirmou que a administração americana está procurando "opções adicionais" contra a Coreia do Norte, além da diplomacia das Nações Unidas. Mas ele não especificou que medidas seriam essas.