O governo da chanceler alemã, Angela Merkel, está cogitando aumentar alguns impostos em busca de consolidação fiscal. O país é um dos que sofre com o aumento do endividamento público após a crise financeira de 2008, a exemplo do que ocorre com a Grécia, a Espanha e Portugal.

A dívida pública da Alemanha, maior economia da Europa, deve crescer para mais de 5% do PIB (Produto Interno Bruto, soma de todas as riquezas produzidas no país) neste ano, em parte devido às reduções de impostos que o governo introduziu no início de 2010.

Em entrevista ao jornal local Handelsblatt, um funcionário do governo afirmou que ainda deve avaliar a medida no governo.

- Nós não estamos discutindo a implementação de um novo imposto, como um imposto sobre riquezas, mas um peso maior sobre um pequeno grupo de contribuintes.

De acordo com outros funcionários, o governo está reconsiderando descontos para o imposto sobre valor agregado de certos produtos. Contudo, membros do Parlamento alemão continuam a descartar qualquer forma de aumento de impostos, preferindo cortar gastos.

Entenda o problema

A crise financeira mundial que teve início nos Estados Unidos e atingiu o auge em setembro de 2008 agravou os problemas financeiros de alguns países da Europa como Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha.

Com o objetivo de diminuir os impactos da crise sobre suas economias, esses países ajudaram os setores mais críticos com pacotes bilionários, que evitariam perdas de empregos e atenuariam os efeitos negativos das turbulências no setor financeiro. Com tantos pacotes de ajuda, a arrecadação destes governos diminuiu e eles ficaram mais endividados.

O caso da Grécia é o mais complicado, porque o país já vinha apresentando, antes da crise financeira mundial, problemas fiscais e alto endividamento público. Em 2009, segundo estimativas, o país grego acumulou uma dívida de aproximadamente R$ 700 bilhões (300 bilhões de euros).

Neste mês, a União Europeia teve de aprovar um pacote de socorro, financiado, sobretudo, pela Alemanha, de R$ 1,75 trilhão (750 bilhões de euro). O resultado é a preocupação com as contas locais do governo alemão.