A cúpula do Democratas (DEM) buscou desqualificar nesta sexta (28) a acusação do ex-secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal, Durval Barbosa, de que o presidente da legenda, Rodrigo Maia, estaria envolvido com a articulação do esquema do mensalão do partido em Brasília. Maia foi citado pelo delator do esquema que supostamente envolvia o governador cassado do DF, José Roberto Arruda, como um dos interlocutores e negociadores que atuavam diretamente com o político eleito por Brasília.
Para o DEM, Barbosa atua com o objetivo de "enlamear pessoas (como Rodrigo Maia) que têm o respeito de todos justamente por sua reputação ilibada".
O mensalão do DEM no DF tem por base, de acordo com a operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, um esquema de cobrança de propina, que envolvia deputados distritais da base aliada e empresas que atuavam na capital federal em negociações em torno da formação de uma base de sustentação para um futuro governo Arruda, eleito em 2006. Vídeos que foram divulgados durante o escândalo mostram parlamentares escondendo maços de dinheiro na cueca e nas meias, além do próprio Arruda contando cédulas e as guardando em uma sacola.
"Reafirmando, em nome de todo o partido, a mais absoluta e inabalável confiança na correição em nosso presidente, o deputado Rodrigo Maia (RJ), e nossa irrestrita solidariedade a ele, vimos a público para repudiar, com veemência, a atitude leviana e irresponsável com a qual o indivíduo Durval Barbosa se apresenta e trata de um assunto da natureza do que ele está envolvido", afirmou a cúpula do DEM em nota à imprensa.
Assinada pelo presidente de honra do DEM, Jorge Bornhausen, pelo ex-presidente Marco Maciel, pelo líder do partido no Senado, Agripino Maia, e pelo líder da legenda na Câmara, Paulo Bornhausen, a nota em repúdio a Durval Barbosa diz ainda que o delator do esquema de corrupção no DF não pode utilizar o instituto da delação premiada, concedido a ele, para a "prática de leviandades" contra autoridades políticas. "(O DEM vem) reiterar a crença na Justiça, esperando sejam tomadas medidas para que réus confessos não confundam o regime de delação premiada com licença para a prática de leviandades", concluiu o documento formulado pelo Democratas.