As Bolsas europeias registram forte alta nesta segunda-feira (10), enquanto o euro supera a marca de R$ 3,10 (US$ 1,30). O otimismo se deve ao pacote financeiro que a União Europeia (UE) acertou para evitar um colapso econômico na zona do euro.
Às 7h04 (em Brasília) a Bolsa de Londres (Reino Unido) subia 4,89%; a Bolsa de Frankfurt (Alemanha) tinha ganho de 4,4%; e a de Paris (França) avançava 7,91%. Todos os setores das Bolsas de valores apresentavam lucro, lideradas pelos bancos (12,1%), seguidos pelas seguradoras (8,8%) e pelas companhias de construção e materiais (6,4%).
Os países da UE (União Europeia) chegaram a um acordo sobre a adoção de um plano de socorro histórico que pode chegar a R$ 1,79 trilhão (750 bilhões de euros) para ajudar os países da zona do euro caso seja necessário e para encerrar a crise causada pelo alto endividamento da Grécia.
O pacote foi aprovado na madrugada de hoje, depois de mais de 11 horas de negociações em Bruxelas entre os ministros europeus das Finanças, convocados de urgência.
A ajuda terá R$ 143,3 bilhões (60 bilhões de euros) em empréstimos concedidos pela Comissão Europeia e R$ 1,05 trilhão (440 bilhões de euros) em empréstimos ou garantias dos países da zona do euro, ou seja, um total de R$ 1,19 trilhão (500 bilhões de euros), anunciou à imprensa a ministra espanhola da Economia, Elena Salgado.
O FMI concederá também uma contribuição em empréstimos de até R$ 597 bilhões (250 bilhões de euros), indicou ela, depois de ter mencionado anteriormente o valor de R$ 525,4 bilhões (220 bilhões de euros).
Em um comunicado, o BCE (Banco Central Europeu, a autoridade monetária da zona do euro) indicou que vai realizar intervenções nos mercados de obrigações privado e público da zona do euro - sem detalhar de que forma isso será feito.
A moeda europeia era negociada a R$ 3,114 (US$ 1,304), contra R$ 3,113 (US$ 1,3037) no fechamento da sexta-feira (7). Na semana passada o temor de que a crise de endividamento da Grécia contagiasse outros países como Portugal e Espanha arrastou o euro abaixo de R$ 3 (US$ 1,26).
Caso de necessidade
O programa será utilizado "apenas em caso de necessidade", disse o comissário europeu de Assuntos Econômicos, Olli Rehn. Ele indicou que a concessão desse empréstimo estará associada "a condições rigorosas" que deverão ser respeitadas pelos países.
A Grécia - o pivô da atual crise na Europa - recebeu R$ 262,7 bilhões (110 bilhões de euros) em empréstimos em três anos – R$ 191 bilhões (80 bilhões de euros) pelos parceiros da Grécia na zona do euro e R$ 71,6 bilhões (30 bilhões de euros) pelo FMI, que aprovou no domingo a sua contribuição para o país.
A Europa não pode se permitir mais uma vez "decepcionar os mercados" depois de ter causado turbulências nos últimos meses por ajudar uma Grécia enfraquecida, considerou o ministro sueco das Finanças, Anders Borg. Ele pediu também um combate às "hordas" de especuladores que se comportam como "uma alcateia de lobos".