O coordenador de campanha da candidata do PT ao Palácio do Planalto, Dilma Rousseff, o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, espera que o "bom convívio" com o PP no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pese na decisão do partido de apoiar a ex-ministra ou o ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) na disputa pelo Palácio do Planalto.
"Esperamos que o bom convívio que tivemos com o PP na administração atual, com a presença do ministro Márcio Fortes no ministério [das Cidades], se desdobre na campanha eleitoral, que o PP continue na base de sustentação", disse. Questionado, sobre o que o PT tem feito para manter o PP na base, ele respondeu que "o que se faz em política é conversar".
Garcia comentou ainda o convite feito por Dilma ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), para ocupar a chapa como vice. O coordenador da campanha petista avaliou que esse passo é um "ajuste importante" e frisou que o PMDB é que escolherá o candidato a vice.
Após o encontro de Dilma e Temer, o PMDB adiou para junho a definição sobre a aliança nacional com o PT e a possível indicação de um candidato a vice-presidente. O partido tinha um encontro marcado para o dia 15 de maio onde discutiria o tema, mas o evento foi cancelado.
Garcia também comentou as críticas recentes de Serra ao Mercosul. "É até surpreendente. O Serra é uma pessoa informada, estudiosa. Para ele dizer que o Mercosul não funciona, significa que ele concretamente que ele não está olhando os números do Mercosul", disse, citando que mais de 50% do comércio no bloco é de produtos industrializados e prevendo que a Argentina ultrapasse a China como maior parceiro comercial do Brasil.