A conjuntura política de Alagoas tomou novos rumos após o anúncio de que o ex-presidente e atual senador Fernando Collor (PTB) tem intenção de disputar o governo, feito no último dia 29, durante uma reunião em Brasília. Inicialmente, Collor teria dado indicativos de que apoiaria o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) no chapão, composto pelo PDT, PTB, PMDB, PR, PT, PC do B, PRB, PV, para disputar o cargo nas eleições deste ano.
A intenção do ex-presidente em lançar a candidatura e a declaração de apoio do deputado federal, Benedito de Lira (PP) ao governador Teotônio Vilela (PSDB), que tenta a reeleição, acabaram desarticulando os planos da frente, que se comprometeu a ajudar a eleger a ex-ministra da Casa civil, Dilma Roussef (PT) à presidência, enquanto a coligação de Vilela fortaleceria a candidatura do tucano José Serra (PSDB) no Estado.
Lessa é cotado para disputar uma vaga na Câmara Federal e para reafirmar isso, Collor deve conversar com o presidente de honra do PDT, o ex-ministro Carlos Luppi para oferecer as bases políticas de Joaquim Beltrão, que seria o vice, em troca da mudança. Porém, Ronaldo Lessa se mostrou irredutível e ressaltou o apoio de Mauricio Quintella (PR) e do senador Renan Calheiros (PMDB) à sua candidatura.
O cientista político Alberto Saldanha afirmou que a alteração para disputar o governo do Estado já era esperada. Para ele, o chapão teria começado a implodir com a retirada do nome do prefeito de Maceió Cícero Almeida para concorrer ao cargo e com isso, o nome mais viável e popular seria o de Fernando Collor, que também ajudaria a unificar as alianças partidárias.
“A verdade é que essa articulação inicial aconteceu para tornar a eleição mais folgada para o senador Renan Calheiros. O Ronaldo Lessa entrou de gaiato com supostos apoios, pois antes tinha pretensões de concorrer ao senado. Essa inconseqüência política pode custar caro, já que o histórico de traição entre Collor, Calheiros e Lessa é antigo. Se a candidatura de Collor se concretizar podemos dizer que PDT, PT e PSDB foram enganados”, afirmou o cientista político.
Segundo Saldanha há ainda, a possibilidade de Lessa e Collor apoiarem Dilma Roussef, candidata do presidente Lula. Assim, a força dos candidatos só poderia ser medida ao longo da campanha eleitoral. “Se Ronaldo Lessa agüentar e mantiver a candidatura ao governo veremos se ele é forte, apesar de eu não ter certeza disso porque o João Lyra deve apoiar Collor e os outros usineiros estarão com Téo. Collor realmente deixou Lessa em uma situação difícil”, destacou.
Mas, o cientista político lembrou que a ex-ministra pode não subir no mesmo palanque que o ex-presidente, apesar do apoio de alguns dos líderes do chapão que ele deve conseguir. Teotônio Vilela também seria beneficiado com isso, por ter conseguido as bases políticas de Benedito de Lira. “Collor tem grande popularidade, mas na última eleição o PP elegeu o maior número de prefeitos, enquanto o PTB ficou em segundo e o PMDB em terceiro, por isso não é possível dizer que há uma divisão”.
Alberto Saldanha acredita que uma reeleição seja mais fácil, o que coloca Vilela em posição de destaque para a disputa ao governo. “O atual governante detém a máquina pública, aparece mais, tem obras em andamento, por isso muitos prefeitos que se sentem em posição confortável não vão negar apoio. Todo candidato à reeleição tem mais chances, mas não significa que irá ganhar. Isso dependerá também dos apoios nacionais”, ressaltou.
Dilma Roussef em Alagoas
De acordo com o cientista político a ex-ministra tem chance de obter muitos votos no Estado se ela conseguir absorver a popularidade do presidente Lula, já que muitas famílias sobrevivem com o dinheiro do Bolsa Família, pago pelo Governo Federal. “O carisma do Lula vem sendo reafirmado, mas só saberemos se isso é favorável para ela no decorrer do processo eleitoral, embora ela seja vista por alguns como a ‘mulher do Lula’’, ressaltou.
Acerca das pesquisas eleitorais Saldanha destacou que já há uma equiparação entre Dilma e Serra nas intenções de votos, apesar das distorções nos números revelados por alguns institutos de pesquisa. “Há um empate técnico, pois não há um 3° candidato forte e a disputa será acirrada. No Nordeste o presidente Lula tem uma popularidade enorme e isso pode ajudá-lo a eleger um sucessor”,afirmou.
