O governo da Bolívia nacionalizou neste sábado (1º) quatro empresas de energia, em mais um passo de sua estratégia para que o Estado tenha maior controle sobre a economia do país. As informações foram fornecidas pelo presidente da estatal Empresa Nacional de Eletrificação (Ende), Roberto Peredo.
As empresas estatizadas incluem a Corani, controlada em 50% pela Inversiones Ecoenergy Bolivia, que era uma subsidiária da francesa GDF Suez.
Também foi estatizada a Guaracachi, a maior geradora de eletricidade do país e que a britânica Rurelec PLC tinha participação de 50%.
As empresas locais estatizadas são Valle Hermoso, da holding empresarial boliviana Panamerican Investments e a distribuidora Empresa de Luz y Fuerza Eléctrica de Cochabamba (Elfec), propiedade de um grupo de trabalhadores e executivos bolivianos.
"Estivemos toda a manhã neste processo de recuperação. Conquistamos as centrais térmicas de Guaracachi, Valle Hermoso, Carrasco, além de outras pequenas, e não poderia ser de outra maneira em Corani", afirmou Peredo, durante uma cerimônia pública realizada na central elétrica de Corani, na região de Cochabamba.
O presidente Evo Morales disse que agora o Estado controla 80% da geração de energia do país e adiantou que, em um futuro próximo, planeja alcançar sua totalidade.
Peredo, que tomará o controle administrativo de toda a rede de geração e distribuição de eletricidade das empresas, disse que "esta é uma das maiores conquistas da revolução cultural", como é chamado o processo político boliviano.
Lembrou que, em meados da década de 1990, a Empresa Nacional de Eletrificação (ENDE) foi privatizada, "desmembrada e vendida pelo capital neoliberal a preço de 'galinha morta'".