O parque ecológico virou um verdadeiro canteiro de obras. Oitocentos hectares de mata e espécies nativas do Cerrado agora dão lugar às máquinas que constroem o Noroeste. Mas o novo setor está ameaçado. O Ministério Público do DF (MPDF) entrou com uma medida cautelar para suspender as obras imediatamente e se prepara para uma ação definitiva, que deve ficar pronta em menos de um mês.
O Ministério Público alega que grande parte do Noroeste está em uma área tombada, onde não seria permitida nenhuma edificação. A construção do novo bairro ultrapassaria o limite estabelecido por Lúcio Costa no plano original de Brasília.
A parte rosa do mapa mostra onde deveria ser o Noroeste, de acordo com o Ministério Público. A parte verde é o local onde o setor está sendo construído. Os promotores também afirmam que o alagamento de um condomínio na Asa Norte, no início de abril, foi causado pelas obras do setor. Com o desmatamento, as águas da chuva correram para o terreno mais baixo e inundaram a garagem do prédio.
“Nós temos que pensar qual crescimento sustentável a gente quer. Queremos uma Brasília tombada, para as futuras gerações, ou uma cidade com problemas de megalópole, como Rio e São Paulo? Problemas de chuva, de inundações, trânsito. E nós nem avaliamos a questão do impacto de trânsito no Noroeste”, alerta a promotora do MPDF Luciana Medeiros Costa.
A Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário discorda. O presidente afirma que o Noroeste não desrespeita o plano original de Brasília e que está de acordo com estudos urbanísticos e ambientais.
“O projeto do Lúcio Costa estabelecia que os órgãos ambientais, de planejamento e desenvolvimento urbano, principalmente, estabeleceriam as diretrizes e as poligonais após as avaliações urbanas e de meio ambiente. E foi assim que foi feito. Portanto, acho que está tudo certo. Não tem problema”, afirma o presidente da associação Adalberto Valadão.
A Terracap espera um comunicado oficial para se manifestar. Em nota, disse que o Noroeste só obteve o registro em cartório depois de ter os projetos urbanístico, arquitetônico e ambiental aprovados.