O ministro das Relações Exteriores Celso Amorim se mostrou frustrado com a cobertura da imprensa à reunião dos países emergentes do Ibas/Bric em Brasília, apesar dos mais de 500 jornalistas credenciados para o evento. Do outro lado, profissionais da mídia reclamaram da falta de grandes notícias do encontro. Mas para alguns especialistas, o encontro não foi além e nem ficou aquém do esperado. A consolidação de um grupo como o Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) é uma questão de tempo.
Para o diplomata Rubens Barbosa, conhecido pela postura critica ante os rumos da diplomacia brasileira no governo Luiz Inácio Lula da Silva, o encontro foi positivo:
- Não existiu uma decisão dramática, não há um acordo entre os quatro países sobre o Irã, mas só o fato de o grupo se reunir foi positivo. As decisões [nesse tipo de encontro] não geram resultado imediato. Ainda se trabalha na tentativa de encontrar uma agenda comum.
Barbosa lembrou que "a agenda do G20 [sobre a reforma do sistema financeiro mundial], a discussão em torno da adoção de moeda local no comercial bilateral dos países" são alguns dos interesses comuns das potências emergentes.
A opinião é parecida a do economista Pedro da Silva Barros, professor de Relações Internacionais da PUC-SP e pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
- O balanço é positivo. Os países do Bric mostraram claramente que a cooperação entre eles vai além de uma questão conjuntural da saída da crise [já que os emergentes tiveram papel destacado na recuperação econômica global]. A reunião mostrou que a cooperação que antes foi conjuntural tende a ser estrutural.
Assento permanente ao Brasil no Conselho de Segurança ainda é sonho
Ainda não foi desta vez que o Brasil conseguiu o apoio conjunto do clube das potências emergentes para sua maior pretensão diplomática, que é ter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. O país conseguiu, no entanto, uma declaração, ainda vaga, de que é preciso discutir questões como essa, de forma a dar mais poder às potências emergentes na cena internacional. "Nós reafirmamos a necessidade de uma reforma compreensiva na ONU" e "reiteramos a importância de elevar o status da Índia e do Brasil nos assuntos internacionais, e entendemos e apoiamos suas aspirações para desempenhar um papel maior nas Nações Unidas", informa o documento.
O professor Barros também disse que uma reforma na ONU que abra espaço para mais países como membros permanentes no Conselho de Segurança não se faz de uma hora para outra. “Mas é perceptível que cada vez mais teremos uma consolidação favorável nesse sentido”, afirmou.
O diplomata Barbosa lembra que a ampliação do Conselho de Segurança não é apenas uma questão de boa vontade do clube das potências emergentes. A reforma esbarra em interesses próprios dos países.
- A China, por exemplo, não quer a ampliação do Conselho de Segurança porque, além do Brasil, quem poderia ganhar um assento permanente é o Japão [um rival histórico dos chineses].