Dois dias depois do terremoto de 7,1 graus na escala Richter que matou mais de 800 pessoas no noroeste da China, a ajuda de emergência começou a chegar nesta sexta-feira (16) à região devastada, que recebeu a visita do primeiro-ministro, Wen Jiabao. Ao mesmo tempo, a busca por sobreviventes prossegue em meio aos escombros de casas e prédios.

O balanço de vítimas fatais na Província de Qinghai subiu para 791, informou a agência oficial Xinhua. O tremor ainda deixou 65 mortos na Província vizinha de Sichuan, que também foi devastada em 2008 por um forte terremoto. Os números atualizados nesta sexta-feira apontam ainda para 294 pessoas desaparecidas e 11.486 feridos, sendo 1.176 em estado grave.

Veículos com ajuda começaram a chegar à destruída cidade de Jiegu, perto do epicentro do terremoto que na última quarta-feira (14) assolou uma área de difícil acesso em Qinghai, no planalto tibetano, perto do Himalaia.

Milhares de sobreviventes passaram a segunda noite ao relento, com temperaturas que chegam a cinco graus negativos. A fome e o odor de corpos em decomposição assolam as vítimas.

Jiabao chegou na noite desta quinta-feira (15) a Jiegu, onde 85% dos edifícios desabaram, e deu prosseguimento à visita da área nesta sexta-feira A quantidade de escombros nas ruas é muito grande e o trabalho das equipes de resgate é braçal. Às vítimas, o primeiro-ministro não teve muito mais a oferecer do que palavras de consolo e esperança.

- O seu sofrimento é o nosso. Estamos vivendo a mesma dor de todos os que foram afetados pelo terremoto. Os seus familiares desaparecidos são também os nossos e nos sentimos de luto por eles. Não iremos desistir enquanto houve esperança (por sobreviventes).

O governo do país também enviou à região grande quantidade de mantimentos de emergência e cerca de R$ 50 milhões (US$ 29 milhões) em ajuda financeira.

Qinghai é habitada principalmente por tibetanos, mongóis, hui (muçulmanos) e chineses da etnia majoritária han, e foi uma das zonas afetadas pelo terremoto que em maio de 2008 sacudiu o norte da vizinha Província de Sichuan, deixando cerca de 90 mil mortos e desaparecidos.

O oeste da China, com grandes cadeias montanhosas como o Himalaia, é zona de frequentes terremotos, embora muitos deles aconteçam em áreas pouco povoadas ou desabitadas.